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Variabilidade pluviométrica e produção de soja: análise comparativa entre regiões produtoras do Brasil, Estados Unidos e Índia

Texto completo
Autor(es):
Vinicius Carmello
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Presidente Prudente. 2018-11-13.
Instituição: Universidade Estadual Paulista (Unesp). Faculdade de Ciências e Tecnologia. Presidente Prudente
Data de defesa:
Orientador: João Lima Sant'Anna Neto
Resumo

O objetivo desta pesquisa é analisar a variabilidade das chuvas e a produtividade da soja em regiões produtoras no Brasil, Estados Unidos e Índia. A partir de um estudo comparativo e amparado pelas análises climatológicas que envolvem técnicas estatísticas e cartográficas, buscou-se compreender os arranjos regionais particulares a cada realidade. Configurada e considerada sob as possibilidades e formas desiguais de acesso à técnica e ao manejo necessário para minimizar os efeitos adversos e negativos/positivos da variabilidade, considera-se que essa heterogeneidade dá o caráter de maior ou menor susceptibilidade as quebras ou déficits agrícolas. Espera-se contextualizar a realidade regional em função da observação dos diferentes arranjos regionais produzidos diferentemente conforme a história e da política internacional em conexões globais, para tanto, foi elaborada a parte de fundamentação teórica tratando temas contemporâneos da geopolítica, da globalização, do conceito de região e da importância de se realizar um estudo comparado. Foram coletados dados de produtividade de soja e de precipitação e temperatura de quatro regiões. A primeira delas localiza-se no sul do Brasil e é constituída pela região noroeste do Rio Grande do Sul, a segunda localiza-se no centro oeste do Brasil, mais especificamente o norte do Mato Grosso, a terceira é nos Estados Unidos e constitui o noroeste do Estado de Ohio, e a quarta situa-se na região central e mais agrícola da Índia, o oeste do estado de Madhya Pradesh. Cada região apresenta diferentes características e especificidades quanto a história, cultura, padrões, crenças, estruturas econômicas, etc., mas detém uma característica em comum, a presença da soja, fator determinante para realizar uma pesquisa comparativa. Os resultados mostraram maior variação dos totais anuais de produtividade de soja no noroeste do Rio Grande do Sul, Ohio e Madhya Pradesh e menor variação, indicando maior homogeneidade no norte do Mato Grosso. O Mato Grosso, juntamente com Ohio são os dois maiores produtores, com valores anuais alcançando, em alguns casos, 3,800 kg/ha. O Rio Grande do Sul, neste contexto, se torna intermediário, com marcada variação anual tanto entre os totais regionais, quanto entre os municípios. A região indiana mostra valores baixos se comparado às demais regiões, porém com certa homogeneidade dos dados – baixa variação. A variabilidade das chuvas também foi marcada no Rio Grande do Sul, Ohio e com menor intensidade em Madhya Pradesh e norte do Mato Grosso. Apesar das análises nas escalas anuais indicar bons resultados, foi a partir da redução para a escala mensal que foi possível medir com maior precisão os níveis de correlação entre a chuva e a produtividade de soja. Para o sul do Brasil, 90% dos resultados do total de 42 testes realizados mostraram uma correlação estatisticamente significativa (para valores de p entre 0,001 e 0,03), principalmente para os meses de janeiro e fevereiro. Nos Estados Unidos, os resultados apresentaram correlações positivas com valores de p entre 0,028 e 0,042 em julho e agosto e negativos em maio. Estes mesmos testes não foram significativos no norte do Mato Grosso e na região indiana. No sul do Brasil, os resultados estatisticamente positivos correspondem aos principais períodos de desenvolvimento da soja, onde as necessidades de água são maiores: os meses de janeiro e fevereiro correspondem à floração, ao desenvolvimento e ao enchimento das vagens, um período que requer uma boa distribuição de precipitação (o que explica o grande número de correlações positivas). Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, os resultados indicam uma maior dependência entre os rendimentos da soja e as chuvas que ocorrem em julho e agosto, o que corresponde também ao período mais importante para o desenvolvimento fenológico da cultura nesta região. Os resultados integram e contribuem para pesquisas relacionadas à climatologia numa escala global, e aos estudos dos impactos regionais das mudanças climáticas, e temas da geopolítica no contexto atual (estratégicas), relacionado à produção de alimentos. Em síntese, a tese representou uma correlação entre a realidade climática geográfica (chuva e vulnerabilidade agrícola) a partir do contexto regional de cada ponto escolhido. (AU)