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Ensaio sobre a promessa: circulação de devotos, palavras, graças e objetos

Texto completo
Autor(es):
Denise Moraes Pimenta
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Imprenta: São Paulo.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/SBD)
Data de defesa:
Membros da banca:
John Cowart Dawsey; Renata de Castro Menezes; Vagner Goncalves da Silva
Orientador: John Cowart Dawsey
Resumo

A dissertação de mestrado a ser apresentada tem como foco a experiência da devoção a Nossa Senhora Aparecida. Desta maneira, desde 2010, faço trabalho de campo em Aparecida do Norte, cidade do interior de São Paulo, junto aos devotos de vários lugares do país, acompanhando a forma como se relacionam com a Santa Aparecida, fazendo promessas, romarias. Assim, dividi minha dissertação em duas partes, que são, porém, interligadas. Na primeira parte, faço uma etnografia de uma romaria à pé (100km) de São José dos Campos (SP) até Aparecida, à qual acompanhei. A segunda parte trata da circulação de objetos e palavras de devoção, estes que possuem agência e transformam mundos e curam pessoas. Em Ensaio sobre a promessa tenho como autores clássicos norteadores Walter Benjamin, Victor Turner, Marcel Mauss. Tento entender a promessa muito além de uma forma direta da fórmula: dar, receber e retribuir. Ou seja, faço reflexões que me fazem pensar que entre estes verbos e ações transformadores, existem piscadelas, detalhes, mosaicos e muitas quinquilharias e inúmeras miudezas de coisas, sendo assim, foi preciso atentar para as fendas, os interstícios, os pontos crepusculares. Portanto, volto o olhar para a promessa enquanto circulação, movimento, passagem e espera. A promessa ou a graça não constituem um fim em si, o que mais me absorveu em campo foram os redemoinhos, os caminhos e os movimentos e toda a circulação de devotos, objetos, sacrifícios e palavras de fé. A circulação é o próprio motor da promessa, esta que só se estabelece na medida em que existem relações de intimidade entre Nossa Senhora Aparecida e seus devotos. Dessa forma, minha dissertação trata da experiência da devoção, da experiência do sensível, contando com muitas fotografias, músicas, contadores de histórias, amigos e estrada, pois a passagem e a estrada é o percurso mais longo, porém, mais certeiro para os que caminham com fé. E foi na estrada que eu comecei a vislumbrar que terríveis bons-espíritos me protegem, que eu quase nada não sei. Mas desconfio de muita coisa. Mas que fique claro, esta é uma etnografia, e que eu creio e não creio. Tem coisa e cousa... (Citações de João Guimarães Rosa, Grande Sertão Veredas, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001). (AU)

Processo FAPESP: 10/04083-0 - Uma etnografia do drama: o ritual da cruz
Beneficiário:Denise Moraes Pimenta
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Mestrado