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Frugivoria, Dispersão Primária e Secundária de Sementes Consumidas por Micos-Leões-Dourados (Leontopithecus rosalia) na Reserva Biológica União, RJ.

Texto completo
Autor(es):
Marina Janzantti Lapenta
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: São Paulo.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Instituto de Biociências (IBIOC/SB)
Data de defesa:
Membros da banca:
Paulo Nogueira Neto; Maria Cecília Martins Kierulff; Marcio Roberto Costa Martins; Paula Procópio de Oliveira; Wesley Rodrigues Silva
Orientador: Paulo Nogueira Neto
Resumo

Os animais frugívoros podem influenciar padrões de distribuição espacial de plantas jovens e adultas, mas parte do recrutamento de uma população vegetal é perdida pela predação de sementes, sendo esta a principal força ecológica e evolutiva que afeta as comunidades vegetais. A maioria das sementes dispersadas por primatas na floresta é morta por predadores de sementes ou movida por dispersores secundários, alterando a sombra de sementes original. Pouco se sabe sobre as interações complexas entre a dispersão e predação de sementes, visto que poucos trabalhos foram realizados sobre a relação entre a dispersão de sementes por frugívoros, e a distribuição das plântulas das espécies consumidas. Para que Planos de Conservação possam ser desenvolvidos, as relações entre a fauna de frugívoros e a vegetação, e a estrutura das Florestas Tropicais devem ser bem entendidas. Na Reserva Biológica União dois grupos de micos-leões-dourados foram acompanhados mensalmente durante três dias cada um, de abril de 2003 a março de 2004 do momento em que deixaram o local de dormida, até o fim de suas atividades no final do dia. Outros grupos foram acompanhados esporadicamente entre agosto de 2004 e janeiro de 2005. Todas as árvores visitadas foram marcadas e amostras dos frutos foram coletadas para identificação e experimentos de germinação. As sementes retiradas dos frutos foram colocadas para germinar em comparação com sementes provenientes das fezes dos micos, ou sementes cuspidas por estes. As sementes foram acompanhadas na mata, quanto à germinação, desaparecimento ou dispersão secundária, predação, mortalidade, sobrevivência e estabelecimento de plântulas. Além disso, foi feito o acompanhamento fenológico de 791 árvores de espécies consumidas pelos micos-leões, de julho de 2003 a junho de 2004. Durante o período de estudo os grupos se alimentaram de 88 espécies de frutos de pelo menos 18 famílias, engolindo as sementes de 43 espécies e cuspindo as sementes de 45 espécies. Cento e sete experimentos foram realizados com 1711 sementes de 38 espécies de frutos (28 espécies de sementes engolidas e dez espécies de sementes cuspidas). No período de estudo mais de 50% das sementes (> 3 mm) dos experimentos desapareceram e cerca de 15% morreram antes de germinar. Vinte e duas espécies tiveram sementes germinando na mata e desenvolveram plântulas, mas no final do estudo apenas 15 dessas espécies ainda apresentavam plântulas sobreviventes. Para melhor se estabelecer se os predadores ou dispersores secundários das sementes depositadas pelos micos-leões-dourados são vertebrados ou invertebrados foram montados experimentos com gaiolas de exclusão de sementes. Outros aspectos quantitativos e qualitativos da dispersão de sementes foram analisados, incluindo a caracterização das deposições, tempo de passagem das sementes pelo trato digestório dos micos, distância e habitat de dispersão e outros. O mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) é uma espécie frugívora e endêmica da Mata Atlântica, e o presente estudo é o primeiro a acompanhar a sobrevivência e crescimento de plântulas provenientes das fezes desse primata, detalhando a sua importância como dispersor de sementes. Estudos sobre o destino das sementes defecadas são fundamentais para a conservação do mico-leão e do seu habitat, a Mata Atlântica de baixada costeira do estado do Rio de Janeiro, um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta. (AU)

Processo FAPESP: 02/09293-6 - Processos de pós-dispersão de sementes consumidas por micos-leões dourados (Leontopithecus rosalia) na Reserva Biológica União/Ibama Rio das Ostras, RJ
Beneficiário:Marina Janzantti Lapenta
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado