Busca avançada
Ano de início
Entree


Política, mobilidade e espaço: a bicicleta na cidade de São Paulo

Texto completo
Autor(es):
Leticia Lindenberg Lemos
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: São Paulo.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/SBI)
Data de defesa:
Membros da banca:
Raquel Rolnik; Monika Weronika Dowbor; Fabio Kon; Paula Freire Santoro; Silvana Maria Zioni
Orientador: Raquel Rolnik
Resumo

Nos últimos dez anos, São Paulo passou por um processo intenso e contencioso de abertura de espaço no sistema viário para circulação de bicicleta. Em uma cidade construída e adaptada historicamente para favorecer o automóvel, o processo histórico que permitiu em dado momento que a municipalidade removesse espaço de estacionamento para carros para implantar mais de quatro centenas de quilômetros de ciclovias e ciclofaixas no período de um mandato no executivo municipal não se deu sem muitos entraves, avanços e recuos. Esta tese propõe iluminar o processo político e histórico, bem como os conflitos e contradições, da construção agenda ciclo- viária em São Paulo. Mostra a construção da agenda que culminou na implementação dessa política pública e na inserção da bicicleta na metrópole carrocêntrica, embora implantada de forma restrita a um território de classe média. Para tanto, dialoga com literatura de quatro áreas: questões territoriais e de segregação socioespacial, autores no campo da Ciência Política que estudam as interações entre sociedade civil e o Estado, discussões da sociologia sobre o sistema da automobilidade e suas implicações, e literatura sobre transição sociotecnológica da automobilidade, tudo isso sempre calcado em ampla fonte primária. A presente tese busca mostrar que a reivindicação por políticas para bicicleta surge como um nicho no regime dominante da automobilidade, uma demanda contra hegemônica que se coloca contra a dominância do automóvel no sistema viário, que ganhou adeptos no mundo corporativo, mas também sofreu resistências contrárias dentro e fora do Estado ao longo de seu percurso. Por fim, o uso da bicicleta em São Paulo passou de um nicho para um regime subalterno dentro do regime dominante da automobilidade. Essa mudança de estatuto foi o que possibilitou os ganhos importantes, ainda que distantes de um alcance sistêmico desejável, da mobilidade sobre bicicletas em São Paulo. (AU)

Processo FAPESP: 17/11198-7 - Cicloativismo e a disputa pelo espaço urbano em São Paulo
Beneficiário:Letícia Lindenberg Lemos
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado