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Fim do humano, vitória da máquina? : indagações acerca da singularidade tecnológica

Texto completo
Autor(es):
Fabiano Galletti Faleiros
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Data de defesa:
Membros da banca:
Laymert Garcia dos Santos; Diego Vicentin
Orientador: Pedro Peixoto Ferreira
Resumo

Nesta dissertação, intentamos perscrutar os enunciados de superação do humano pela máquina definidos pela Singularidade tecnologia, passando em revisão a obra de Raymond Kurzweil. Primeiramente, procuramos estabelecer uma definição teórico-conceitual para teses singularistas. Para tanto, buscamos apresentar com fidedignidade os pressupostos expressos por Kurzweil, evidenciando o caráter entusiasmado de seus prognósticos sobre o fim da espécie humana, tal qual conhecemos. Para o autor, o iminente crepúsculo da humanidade, o qual será provocado pela irrupção de um avanço tecnológico sem precedentes – uma singularidade –, trará a solução para uma série de problemas imemoriais, como a doença, a fome e a morte. Num segundo momento do texto, esforçamo-nos para relativizar tais prognósticos sobre o futuro, demonstrando que a Singularidade, para além de uma teoria tecnocientífica, constitui uma narrativa contemporânea que pretende conferir um significado transcendente à frenética aceleração de nossos tempos – e, como toda narrativa, ela está imbuída por interesses e sentidos específicos. Ao contrário da imagem criada por Kurzweil, defendemos que as teses singularistas não são meras aferições objetivas e neutras da realidade, mas um ponto de vista sobre ela que, invariavelmente, está condicionado por um juízo de valor particular. Buscamos, com esta dissertação, jogar luz sobre tal juízo de valor escuso, demonstrando como eles corroboram para a aprofundamento de injustiças e desigualdades sociais. Ademais, num terceiro movimento, propomos estabelecer uma crítica ontológica, inspirada pela obra do filósofo Gilbert Simondon, aos enunciados singularistas. Para que o fim do humano e a vitória da máquina sejam decretados é preciso supor, como faz o Kurzweil e seus companheiros, que humanos e máquinas sejam iguais e competem uns com os outros. Nossa investigação primou evidenciar que tal maneira de representar humanos e máquinas além de ser reducionista e tecnicamente infundada, corrobora para construção de um ideário tecnocrático, o qual propõe subjugar os objetos técnicos, a natureza e o próprio ser humano. Por fim, com esta dissertação, gostaríamos de aventar outras maneiras de pensar e experienciar nossa relação com a técnica: humanos e máquinas possuem modos de existência próprios e participam de processos de individuação diferentes. Assim, tal relação deve ser entendida como soma de duas potências complementares, que se constroem mutuamente – e não como uma disputa entre vencedores e perdedores, na qual um deve morrer em detrimento do outro (AU)