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Clima urbano, risco climático e vulnerabilidade socioespacial mediados pela produção do espaço urbano em cidades paulistas (São Carlos, Marília e Presidente Prudente)

Texto completo
Autor(es):
Camila Riboli Rampazzo
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Presidente Prudente. 2019-06-19.
Instituição: Universidade Estadual Paulista (Unesp). Faculdade de Ciências e Tecnologia. Presidente Prudente
Data de defesa:
Orientador: João Lima Sant'Anna Neto
Resumo

A pesquisa pautou-se em uma abordagem geográfica associada ao clima urbano, baseado no Sistema do Clima Urbano (S.C.U.) e na produção do espaço geográfico, subsidiados pela perspectiva analítica da Geografia do Clima. Diante do acúmulo do custo ambiental como consequência das transformações decorrentes do acelerado e concentrado processo de urbanização e crescimento das cidades, estes trouxeram mudanças agressivas nas condições do ambiente natural, quais sejam ameaças naturais e/ou causadas pela ação humana. Dentre estes impactos, o clima urbano é efetivamente um fenômeno resultante desse processo ao modificar sobremaneira o ritmo de interrelação no sistema superfície-atmosfera (SSA). Tendo como recorte territorial de investigação as cidades paulistas de São Carlos, Marília e Presidente Prudente, esta pesquisa visou identificar como o clima urbano se constitui numa atmosfera particular em lugares com níveis de vulnerabilidade socioespacial e riscos distintos. A hipótese principal da tese foi a de que os diferentes níveis de criticidade e exposição aos riscos identificados são aplicáveis aos diferentes graus de tecnificação empregados nos diferentes territórios, ou seja, que o clima urbano passa a ser relativo e seletivo. O objetivo foi relacionar a configuração dos climas urbanos a partir da geração das ilhas de calor urbanas (ICU) à dimensão histórica de produção dos espaços urbanos. Identificando, para isso, o contexto espacial onde o perigo é produzido e a relatividade de exposição àquelas ameaças climáticas e os níveis de vulnerabilidade, admitindo a natureza desigual, seletiva e as diferenciações socioespaciais de cada contexto de produção do espaço urbano das três cidades. Neste sentido, os impactos das ilhas de calor urbanas não foram entendidos somente como um elemento da natureza, mas, incorporados na cidade como expressão da forma e conteúdo do fenômeno urbano. Assim como as cidades, estes impactos foram entendidos como uma produção social. A pesquisa foi desenvolvida pela aferição dos seguintes objetivos específicos: análise da estrutura geoambiental e urbana das cidades; identificação dos climas urbanos a partir dos eventos termodinâmicos de superfície (imagens de satélite termais e NDVI) e atmosféricos via modelagem geoestatística; elaboração do Social Vulnerability Index (SoVI®); dimensionamento da influência do clima e da dinâmica histórica da produção dos espaços na vulnerabilidade e nos riscos; qualificação da natureza dos impactos de acordo com a exposição aos riscos, os locais de ocorrência e as populações vulneráveis. Os resultados comprovam não somente a existência de climas urbanos, a partir da modelagem das ilhas de calor, com intensidade superior a 4°C sob condições atmosféricas estáveis, como, que há uma correspondência entre os níveis de vulnerabilidade e os espaços desigualmente construídos na configuração dos impactos climáticos em cada cidade. As três cidades apresentam essas características, especificamente qualificadas e em níveis diferentes, contudo, de acordo com cada processo de urbanização, morfologia urbana, condicionantes geoambientais, estrutura da desigualdade, os fatores e os níveis da vulnerabilidade socioespacial essas características promovem a relatividade de exposição aos impactos mediados pelo modo de apropriação da natureza historicamente engendrado. Situações muitas vezes agravadas ou reiteradas frente às situações de risco em áreas ambientalmente susceptíveis, e fatores como a inadequação de domicílios, precariedades construtivas e na qualidade do ambiente construído. Assim, com base nesses pressupostos considera-se possível encaminhar os impasses teóricos deste problema para os desafios da prática no nível dos condicionantes que passam a mediar como instrumentos de diferenciação socioespacial, de desigualdade, de vulnerabilidade socioespacial e de configuração do clima urbano como construção social. (AU)