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Efeitos de estradas e trilhas na vegetação, disponibilidade de frutos e avifauna em uma área protegida de Mata Atlântica do sudeste do Brasil

Texto completo
Autor(es):
Bruna Gonçalves da Silva
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Campinas, SP.
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Biologia
Data de defesa:
Membros da banca:
Wesley Rodrigues Silva; Erica Hasui; Augusto João Piratelli; Alexander Vicente Christianini; Flavio Antonio Maës dos Santos
Orientador: Wesley Rodrigues Silva
Resumo

A dinâmica de clareiras imposta por trajetos como estradas e trilhas em meio a ambientes florestais pode afetar os ecossistemas naturais e os processos ecológicos. Grande parte dos remanescentes de Mata Atlântica são intersectados por inúmeras estradas e trilhas, que cruzam até mesmo Unidades de Conservação. A presença dos trajetos pode afetar a comunidade de plantas e a fauna, como a estrutura do habitat, os processos reprodutivos das plantas e o comportamento da fauna. No entanto, os efeitos da largura dos trajetos e de seu uso na fauna e na flora na Mata Atlântica não são bem conhecidos. Neste estudo nós investigamos se (1) a comunidade de plantas, (2) a disponibilidade de frutos e (3) a comunidade de aves frugívoras são afetadas por esses trajetos, e (4) realizamos um diagnóstico dos impactos e suas implicações, propondo estratégias locais de conservação relacionadas às vias de uso intensivo. Os dados foram coletados entre 2013 e 2015 em três trajetos em meio a floresta, com diferentes larguras e usos: estrada principal (20 m de largura ¿ uso intensivo), estrada secundária (10 m de largura ¿ baixo uso), trilha turística (2 m de largura ¿ uso intensivo) - e em uma área controle sem trajetos, com oito parcelas de 100 m2 para cada área. Foi analisada, de forma comparativa, a estrutura e composição da vegetação, a disponibilidade espacial e temporal de frutos e a avifauna consumidora de frutos. Este estudo mostrou que a estrutura e a composição da vegetação são alteradas nas bordas de vias largas (10 ¿ 20 m) quando comparadas com vias estreitas (2 m) ou a região controle; que a disponibilidade de frutos zoocóricos é maior em área contínua distante das bordas dos trajetos e que a produção de frutos anemocóricos foi maior nas bordas do trajeto mais largo. Picos de frutificação ocorreram nas bordas dos trajetos, não sendo evidenciados em área contínua (controle). Aves mais especialistas na dieta frugívora foram mais abundantes no controle e na estrada com baixo uso, enquanto onívoros foram mais abundantes no trajeto mais largo. A largura da via, juntamente com a intensidade de uso e a disponibilidade de frutos, foram os componentes mais importantes na determinação da comunidade de aves. Para os frugívoros, o uso intensivo do trajeto foi mais importante que a largura da via. Nossos resultados demonstram como a comunidade de plantas e a avifauna consumidora de frutos respondem à presença e à intensidade de uso de estradas e trilhas em meio a uma floresta ombrófila densa contínua. A alteração do habitat, a limitação de recursos alimentares e a presença de distúrbios podem gerar o desaparecimento de algumas espécies em longo prazo, comprometer processos ecológicos e consequentemente, a conservação da Mata Atlântica, já intensivamente fragmentada. A regulamentação da implantação e do uso de vias em meio a Unidades de Conservação, assim como estratégias de monitoramento e educacionais, são essenciais para minimizar os impactos nas comunidades naturais da Mata Atlântica (AU)

Processo FAPESP: 13/11175-6 - Efeitos de estradas e trilhas na estrutura da vegetação e disponibilidade de recursos para aves frugívoras da mata atlântica
Beneficiário:Bruna Gonçalves da Silva
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado