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Avaliação do inflamassoma NLRP3 e autofagia em placentas de gestantes portadoras de pré-eclâmpsia

Texto completo
Autor(es):
Ingrid Cristina Weel
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Botucatu. 2016-09-12.
Instituição: Universidade Estadual Paulista (Unesp). Instituto de Biociências. Botucatu
Data de defesa:
Orientador: Maria Terezinha Serrão Peraçoli
Resumo

A pré-eclâmpsia (PE) é uma síndrome clinicamente identificada por hipertensão arterial e proteinúria e está associada à produção excessiva de citocinas proinflamatórias, deficiência na produção de citocinas reguladoras e aumento nos níveis séricos de anticorpos antifosfolípides (aPLs) em pacientes com PE grave. Os aPLs são uma família de autoanticorpos que reagem com proteínas ligantes de fosfolipídios, sendo seu principal alvo a beta-2 glicoproteina I (β2GPI). Estes anticorpos são responsáveis por inibir a diferenciação do sinciciotrofoblasto e restringir a migração trofoblástica, resultando em remodelação anormal das arteríolas espiraladas, alteração característica da PE. O inflamassoma é um complexo proteico que promove a secreção das citocinas proinflamatórias interleucina-1 beta (IL-1β) e interleucina 18 (IL-18) e, também a secreção da proteína “high-mobility group box 1” (HMGB1) após ativação por patógenos e/ou produtos endógenos associados ao dano celular. A autofagia é uma via de degradação celular ou de eliminação de organelas e proteínas através de processos lisossomais que são importantes para a manutenção da homeostase celular, promovendo a sobrevivência das células em resposta ao estresse. O presente trabalho teve como objetivos: 1. Investigar as proteinas relacionadas ao inflamassoma e à autofagia em placenta de gestantes portadoras de pré-eclâmpsia e de normotensas; 2. Avaliar a relação existente entre inflamassoma e autofagia em células de trofoblasto extraviloso humano (SW.71), induzida por aPL. Fragmentos placentários foram coletados de 20 gestantes normotensas e de 20 gestantes com pré-eclâmpsia para avaliar a expressão gênica e proteica de NLRP3, caspase-1, IL-1β, fator de necrose tumoral-alpha (TNF-α), IL-18, HMGB1, proteína de cadeia leve (LC3B-II), beclin-1 e de “mammalian target of rapamycin” (mTOR). As respostas autofágica e inflamatória e, a expressão de fatores antiangiogênicos também foram analizadas em células SW.71 induzidas por aPL. Os resultados mostraram níveis elevados de RNAm de NLRP3, caspase-1, IL-1β, TNF-α e HMGB1 em tecido placentário, bem como aumento significativo dos níveis de caspase-1, IL-1β, TNF-α e HMGB1 em homogenato de placenta de gestantes portadoras de PE quando comparadas às normotensas. A expressão gênica e proteica de IL-18 mostrou-se significativamente diminuida no grupo de gestantes pré-eclâmpticas. A expressão das proteínas relacionadas à autofagia, LC3B-II e beclin-1 e os níveis de RNAm destas proteinas mostraram-se significativamente diminuídos em placenta de gestantes com PE comparados aos de gestantes normotensas. Por outro lado, o RNAm e a proteína de mTOR foram mais elevados nas gestantes com PE em comparação com as normotensas. Nas células SW.71 observou-se que o tratamento com aPL por 8h induziu diminuição significativa da razão LC3B-II/LC3BI seguida de aumento significativo após 72 hr do estímulo. Esses resultados não foram observados na expressão de beclin-1 e p62. Em cultura das células submetidas à inibição do processo autofágico detectou-se aumento na secreção de IL-1β, IL-8 e endoglina solúvel (sEng), enquanto nas culturas em que a autofagia não foi inibida observou-se diminuição da secreção de sEng e de fms-like tyrosine-kinase-1 solúvel (sFlt-1). Além disso, a permanência do processo autofágico reduziu significativamente a secreção de IL-1β e IL-8 em células induzidas por aPL. Em conclusão, os resultados obtidos mostram que placenta de gestantes com PE apresentam ativação do inflamassoma NLRP3 e diminuição da resposta autofágica, sugerindo que estes processos podem contribuir para a patogênese da PE. O estímulo de células de trofoblasto extraviloso com aPL é capaz de diminuir a resposta autofágica nessas células por meio de ativação do inflamassoma. O restabelecimento tardio da autofagia nessas células poderia ocorrer, provavelmente, devido à tentativa desse processo em controlar a ativação do inflamassoma. (AU)

Processo FAPESP: 13/00535-1 - Avaliação de inflamassomo NLRP3 e autofagia em placentas de gestantes portadoras de pré-eclâmpsia
Beneficiário:Ingrid Cristina Weel
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado