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A questão da origem das representações elementares e as modulações do pensamento kantiano

Processo: 05/04795-1
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 12 de setembro de 2006
Vigência (Término): 08 de dezembro de 2006
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - História da Filosofia
Pesquisador responsável:Ubirajara Rancan de Azevedo Marques
Beneficiário:Ubirajara Rancan de Azevedo Marques
Anfitrião: Leonel Ribeiro dos Santos
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Marília. Marília , SP, Brasil
Local de pesquisa: Universidade de Lisboa, Portugal  
Assunto(s):Kantismo

Resumo

Trata-se de examinar a posição de Kant sobre a origem das representações elementares, sua crítica ao inato, a diferença em face do a priori e o consenso da fórmula "aquisição originária". Permeada por um mesmo repertório de expressões, tal questão compreende ainda "disposição" e "germe", "implantar", "plantar", “inato", "incriado". Facilmente identificável, este léxico é instrumento tão necessário quanto insuficiente, tal se devendo ao modo ambíguo com que é empregue. Acrescente-se "pré-formação" e "epigênese" ao grupo, expressões de muita polêmica no século XVIII, cujo uso metafórico pelo filósofo tampouco é claro. Esta relação com a biologia, por sinal, representa frutífero elemento de compreensão do que é dito no século XIX a respeito do a priori, erradamente revivificado à luz da psicologia e da psicofísica. A compreensão tradicional de inato e inatismo é, pois, parte da cena a examinar. De grande importância são as referências de Leibniz e Descartes ao tema, através das quais se verifica o uso feito por eles de "germes" e "disposições", no mesmo contexto no qual depois serão reempregues por Kant. Muito mais importante do que a coincidência vocabular, porém, é o sentido dado por estes filósofos ao inato, o qual, frustrando a expectativa de uma diferença irreconciliável frente ao a priori crítico, em parte a ele se acomodará, não em desfavor do último, mas em favor de uma outra compreensão de si próprio. Esta nova alocação das peças permite, na filosofia e na ciência do Oitocentos, melhor compreender a posição de inato e a priori (vítimas de renovada mistura), favorecendo a trama de um fio condutor interpretativo.À luz de conceitos e referências do filósofo, o objetivo do estudo é demonstrar a uniformidade e coerência da doutrina kantiana a respeito da origem, subjacente às modulações que a expressam, as quais, contextualizadas, ao invés de enfraquecerem, aguçam o pensamento que lhes garante identidade. O a priori crítico compartilha espaço com o inato da tradição filosófica e com o inato/a priori do panorama científico posterior: com relação àquele, pelo fato de o inato não ser a representação que nele se pretendeu encontrar; com respeito a estes, dado que o Grund (inato) admitido pelo filósofo aparenta-se com o Trieb de Blumenbach, quem cunhou o conceito de Bildungstrieb. Como, porém, se depreende de quanto é dito pelo filósofo e ainda por Blumenbach, o Bildungstrieb é filosófico-conceitual, não fisiológico-experimental. Ao mostrar-se o duplo parentesco do a priori crítico são no mesmo passo denunciadas as falsas relações de Kant com uma e outra referências: a inconsistência do sentido dogmático de inato e a incoerência da leitura psicologizante e psicofísica do a priori.De 1969 a 2003, contam-se quatro livros e seis artigos, que, direta ou indiretamente, voltam-se à questão de inato versus a priori em Kant. Dentre os últimos, contribuições que abordam as metáforas biológicas da primeira Crítica, o a priori, a epigênese. Ainda neste mesmo conjunto, um texto que percorre a Dissertatio de 1770, a Razão Pura e a "Resposta a Eberhard". Dentre os primeiros, um exame multiabrangente sobre a doutrina das ideias inatas, duas investigações, que, não os tendo especialmente em mira, tomam cá e lá inato e a priori em consideração, e, por fim, o principal estudo a respeito da "aquisição originária" em Kant (Oberhausen). De posse das expressões representativas do vocabulário do filósofo acerca da questão em foco, trata-se de ponderar-lhes o respectivo valor conceitual interno, e, em função de indicações no próprio corpus kantiano, reconhecer-lhes os vínculos filosóficos e científicos contemporâneos. (AU)

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