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Programa Ruth Cardoso: subjetividade, política e ética: práticas de si nos feminismos brasileiros e norte-americanos

Processo: 10/08012-0
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 23 de agosto de 2010
Vigência (Término): 23 de maio de 2011
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História
Convênio/Acordo: Capes-Fulbright-GU-Programa de Bolsas Dra. Ruth Cardoso
Pesquisador responsável:Luzia Margareth Rago
Beneficiário:Luzia Margareth Rago
Anfitrião: Pablo Piccato
Instituição no exterior: Columbia University in the City of New York, Estados Unidos
Instituição-sede: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Feminismo   Subjetividade

Resumo

Nesta pesquisa já aprovada, busco analisar as teorizações do feminismo norte-americano sobre a subjetividade, a política e a ética, a partir das reflexões do "último Foucault" e os usos de seus conceitos para as ações políticas feministas. O contato direto com centros de pesquisa especializados e com autoras e grupos feministas norte-americanos cria condições favoráveis para o desenvolvimento do trabalho em torno de dois eixos interligados. Num nível histórico e teórico, investigo a experiência de Foucault nos EUA e pergunto como esta afetou seu próprio trabalho filosófico. Num nível temático, meus interesses se voltam para as "políticas de subjetivação" que as feministas têm criado nas práticas cotidianas e como as teorizam tanto nos EUA, quanto no Brasil. Finalmente, esta pesquisa visa fundamentar os estudos históricos sobre as práticas feministas de subjetivação construídas no Brasil, lembrando que estas também implicam novas relações para com o outro. As políticas feministas de subjetivação constituem um tema de grande importância quando se consideram os obstáculos para a construção da esfera pública na América Latina e no Brasil, onde a cultura do mundo privado se sobrepôs ao público, desde os inícios da colonização portuguesa. Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, diagnosticou o problema a partir da figura privatista e autoritária do "homem cordial", com a qual se referiu aos poderosos proprietários de terra que comandavam a política arbitrariamente. Esta cultura prevaleceu no país por séculos, levantando sérios obstáculos para mudanças sociais significativas, apenas sendo questionada mais fortemente nas últimas quatro décadas, pelos grupos de esquerda e pelos "novos movimentos sociais", como foram chamados desde os anos oitenta. A produção de indivíduos libertários tem sido um desafio também para o feminismo, se aceitarmos que este surge para libertar as mulheres da identidade que deveriam aceitar, e não para substituir o "homem cordial" pela figura da "mulher cordial". Em países como os EUA, essa também tem sido uma importante questão em se considerando a necessidade de políticos capazes de dar outras respostas às dificuldades sociais para além da guerra. Todo país, aliás, precisa de homens ou mulheres formados de modo a poder "cuidar" do público tanto quanto de si próprios. Discutir a produção da subjetividade é, portanto, uma questão de mudança política e social, nessa perspectiva.As feministas têm perguntado pelo sujeito do feminismo em muitos países, mas sem dúvida alguma, esta é uma questão que o feminismo norte-americano desenvolveu em uma notável literatura, como atestam os trabalhos de Judith Butler, Lois MacNay e Margareth McLaren. No Brasil, vários artigos foram produzidos no tema, não necessariamente a partir de uma perspectiva foucaultiana. Cláudia Costa Lima, por exemplo, fortemente referenciada pelos debates norte-americanos, discute a desconstrução do sujeito nas teorias feministas, mas concorda com a crítica tradicional à concepção do sujeito de Foucault, aparentemente incapaz de ação política e moral. Por outro lado, Tânia Swain, inspirada pelas teorias feministas francesas e canadenses, tem publicado vários artigos aproximando os conceitos foucaultianos do "dispositivo da sexualidade" e das "práticas de si" da crítica feminista às identidades sexuais naturalizadas e à heterossexualidade normativa. Vale lembrar que o Brasil vive uma experiência de reconstrução democrática, de crescente individualismo e multiculturalismo que os norte-americanos conhecem há muito tempo, apesar obviamente das diferenças. Assim, é inegável que os/as brasileiros/as têm muito a aprender dessa experiência de transformação subjetiva e da crítica dos padrões hierárquicos tradicionais de conduta que chegam do Norte, mesmo se considerarmos que diferentes realidades exigem formas diferenciadas do uso daquilo que é importado, seja um conceito, uma ideia ou qualquer outro produto. (AU)

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