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A virada informacional na Filosofia: da informação ao significado

Processo: 08/11479-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de março de 2009
Vigência (Término): 31 de agosto de 2010
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - Epistemologia
Pesquisador responsável:Maria Eunice Quilici Gonzalez
Beneficiário:João Antonio de Moraes
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Marília. Marília , SP, Brasil
Assunto(s):Informação   Significado   Signo linguístico   Naturalismo   Ontologia (filosofia)   Tecnologia da informação

Resumo

Este projeto tem por objetivo analisar aspectos da Virada Informacional na Filosofia, tal como exposta por Frederick Adams em seu artigo de 2003 - The Informational Turn in Philosophy. Essa virada é marcada por um projeto de naturalização da mente, que possui como ingrediente principal o conceito de informação. Com o advento da computabilidade, a informação ocupou um lugar central nos estudos da natureza do pensamento, tendo como principal influência as idéias de Turing (1950) no seu artigo seminal Computing Machinery and Intelligence. Ainda que não haja um consenso sobre o que deva ser entendido (nos planos ontológico e epistemológico) por informação, admite-se, em particular na Filosofia da Mente e na Ciência Cognitiva, que a mente é um sistema de processamento de informação. Vários problemas decorreram dessa hipótese, entre eles dois que são de particular interesse para o presente projeto. O primeiro pode ser formulado da seguinte maneira: qual é a relevância do conceito de informação para os estudos da natureza dos estados mentais a partir de uma perspectiva naturalista? O segundo problema pode ser colocado como: qual a relação entre informação e significado? De modo a analisar filosoficamente esses problemas, desenvolveremos a pesquisa em duas etapas. Na primeira, correspondente ao estudo do primeiro problema, analisaremos as noções de informação que julgamos ser de interesse filosófico, tais como aqueles propostos por Adams (2003) de signo, representação, entre outros, que marcaram os vários estágios da Virada Informacional na Filosofia. Na segunda etapa, concerne ao estudo do segundo problema, discutiremos as contribuições de Fred Dretske, em especial na obra de 1981 - Knowledge and the Flow of Information -, na tentativa de compreender a distinção entre informação e significado em seu projeto filosófico de naturalização da mente. Como ressaltaremos, a proposta dretskeana de naturalização da mente, no entendimento de Adams, é a que chegou mais perto de explicitar a distinção entre informação e significado. No contexto epistemológico em que a pesquisa dretskeana se desenvolve, informação é entendida como uma commodity existente objetivamente no mundo, independente de uma mente subjetiva; ela diz respeito ao conjunto de regularidades no ambiente em que o sujeito está inserido. O significado, por sua vez, é gerado a partir de processos de constituição e ajuste de representações da informação disponível no ambiente; através de mecanismos de aprendizagem. Nesse processo, a representação mental que não se adéqua ao mundo será corrigida, propiciando a emergência do significado. Em outras palavras, para Dretske a emergência do significado está relacionada à manipulação de informação, que ocorre no plano representacional, durante o processo de aprendizagem. Segundo Dretske, um sistema cognitivo é aquele que possui a capacidade de representar informação e, a partir dessa representação mental, agir no mundo. Contudo, algumas vezes tal representação pode estar equivocada, exigindo correções que refletirão no plano da ação. É justamente no processo de aprendizagem, de ajustes da informação representada que emerge o significado, ingrediente central estruturador dos estados mentais. É importante ressaltar que, para Dretske, somente seres que possuem a capacidade de representar significativamente a informação disponível no mundo podem pensar. Esse pressuposto fundamenta sua Tese Representacionalista informacional da mente. Uma das contribuições desse projeto é refletir filosoficamente, de modo sistemático, sobre o conceito de informação. Vivemos na era da informação, em um mundo guiado por tecnologias informacionais e, no entanto, não temos um consenso sobre a sua natureza. Julgamos que uma reflexão filosófica acerca da natureza ontológica e epistemológica da informação pode trazer contribuições relevantes para a compreensão do direcionamento da ação em um mundo guiado por tecnologias informacionais.

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