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A polissemia do transcendental: investigação sobre o desenvolvimento da Filosofia Teórica de Kant à luz do Dogmatismo alemão

Processo: 21/05249-3
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de novembro de 2021
Vigência (Término): 31 de outubro de 2025
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - História da Filosofia
Pesquisador responsável:Maurício Cardoso Keinert
Beneficiário:André Rodrigues Ferreira Perez
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Gramática   Polissemia

Resumo

O objetivo da pesquisa é investigar a proveniência e o desenvolvimento do conceito "transcendental" na filosofia teórica kantiana. Tendo ganhado relevo no final do século XIX e início do XX, em meio a um ambiente neokantiano, a pesquisa pelo transcendental está longe de produzir um acordo entre os intérpretes. Ao longo de sua história na Kantforschung, a disputa se centra em dois pontos complementares: i. a discriminação da tradição filosófica cujo legado foi incorporado e trabalhado por Kant, centrando-se em quatro sítios principais, quais sejam, a escolástica medieval, o aristotelismo germânico do século XVII, a Cosmologia de Wolff e dos wollfianos e a Ontologia de Baumgarten; e, ii: o caráter do acolhimento do conceito "transcendental" por parte de Kant: se em termos de ruptura ou continuidade. Entendemos que o único critério seguro para, evitando especulações, aferir evidência textual do legado do transcendental é a focalização no uso que Kant faz do conceito. Sempre tomando o uso do transcendental na primeiro Crítica como ponto focal, trata-se de abordar, por um lado, as únicas duas ocorrências em obras publicadas antes da Crítica da razão pura, na Monadologia Physica, de1756, e na Dissertação de 1770. A análise do transcendental nestas obras reenvia para o transcendental wollfiano, em especial para a Cosmologia, cuja acentuação é marcadamente teorético-científica. Por outro lado, nas obras não publicadas (nas quais o conceito ocorre: nas anotações de aula, a primeira em 1762; nas reflexões, a partir de meados da década de 1760; na correspondência, pela primeira vez em 1772) há grande evidência da ocupação extensa de Kant no tratamento do conceito em questão. Análise deste segundo grupo de textos conduz ao transcendental da Metafísica de Baumgarten, em especial o da Ontologia. Submetemos que o influxo destas duas tradições (sendo a de Baumgarten crescente) é preservado e continuamente tensionado, torcido e retrabalhado ao longo do desenvolvimento que leva à composição da Crítica da razão pura. Nossa hipótese é que, à diferença da novidade da crítica, o transcendental é concebido por Kant como um problema antigo, caracterizando o uso kantiano como uma rearticulação ou torção, e não exatamente uma demolição da tradição. Neste sentido, a própria concepção de uma Filosofia Transcendental, na gramática da nova língua kantiana, estaria imersa em uma vivaz disputa com a tradição. Pretendemos, portanto, defender a tese de que o uso do transcendental por parte de Kant é polissêmico, o que se deve precisamente a comportar - em sua tensa reestruturação, refundação ou refundição - tanto a acepção cosmológica, a dos fundamentos da física (do wollfianismo), como a ontológica, a dos primeiros predicados do ente (de Baumgarten).

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