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Apógrafos parisienses de Francisco de Sá de Miranda com a sua poesia enviada ao príncipe: estudo do código bibliográfico, da poesia musical, do drama bucólico e das cartas em versos

Processo: 19/19688-9
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 01 de março de 2020
Vigência (Término): 31 de julho de 2020
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Outras Literaturas Vernáculas
Pesquisador responsável:Marcia Maria de Arruda Franco
Beneficiário:Marcia Maria de Arruda Franco
Anfitrião: Maria Cristina Pais-Simon
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa: Université Sorbonne Nouvelle - Paris 3, França  
Assunto(s):Eficiência   Literatura portuguesa

Resumo

Embora divulgados desde 1885, na edição de Carolina Michaelis de Vasconcelos, Poesias de Francisco de Sá de Miranda, e digitalizados na GALLICA, os dois manuscritos da sua poesia depositados nos fundos portugueses da Biblioteca Nacional de França nunca foram disponibilizados em livro, provavelmente por não se tratarem de autógrafos, e sim de cópias de sua poesia ofertada ao herdeiro da coroa portuguesa, o príncipe D. João, filho de D. João III e pai de D. Sebastião, que morreu a 2 de janeiro de 1554. Justamente por ser um documento autoral, o seu pequeno autógrafo encontrado na Biblioteca Nacional de Portugal foi imediatamente publicado em fac-símile com transcrição anotada pela mesma filóloga, em 1911. Ao contrário da Michaelis, proponho privilegiar o Manuscrito de Paris, no que toca ao estudo e edição da poesia musical enviada ao príncipe na primeira remessa (trovas, sextina, sonetos e canção a Nossa Senhora), pelo exame do seu código bibliográfico e das suas redes de significação, 1- por ser exclusivo dessa matéria (poesia cantada), 2- por conter notas e rubricas com informação e redação próprias e 3- por ser um manuscrito de 1564, que representa um projeto de edição da sua poesia musical enviada ao príncipe, anterior em décadas à edição príncipe (passe o trocadilho) das suas obras poéticas, em 1595.O Manuscrito de Ferdinand Denis, por sua vez, contém três remessas de Miranda ao príncipe. A primeira será confrontada com o seu registro no Manuscrito de Paris. A segunda reúne a sua sátira, que circulou em performance, dramatizada ou vocalizada na sociedade de corte quinhentista portuguesa, por meio de éclogas, como Alexo, Basto, e das célebres cartas, dissertação moral e reflexão sobre a poesia renascentista. A terceira traz 6 éclogas e uma elegia, e inclui textos de outro autor. Neste projeto eu quero mostrar que na ordenação e distribuição da matéria poética, na disposição dos versos na estrofe, e nas páginas, nas didascálias, dedicatórias e anotações desses manuscritos pode-se obter informação sobre a música vocal, a dança, a dramatização social, as formas de teatralidade e usos da poesia na sociedade de corte. Para dimensionar a teatralidade dos gêneros poéticos em cerimoniais e no cotidiano da sociedade de corte portuguesa, os dois manuscritos mirandinos de Paris serão analisados tanto do ponto de vista de sua materialidade quanto do ponto de vista histórico-cultural, tecendo-se a rede de representações que registra, em rubricas, dedicatórias anotações e versos, lugares de encenação da poesia, como palácios, praças; personagens históricas ou anônimas; um léxico relacionado ao canto, à vocalização, à música, aos instrumentos musicais, a bailados, a encenações. A história cultural emerge da análise do código bibliográfico e de suas remissões ao gênero poético e a seu emprego em situações de circulação do poético na sociedade monárquica. Estudarei as cartas e éclogas enviadas nas segunda e terceira remessas no que elas podem informar sobre a performance, a música vocal e o drama bucólico, segundo a rede de representação tecida pelos apógrafos de Paris. A importância atribuída ao manuscrito não autógrafo decorre de ele ser considerado uma recepção da poesia mirandina, projeto editorial e publicação manuscrita que a registrou no século XVI. Destes documentos emanam signos do passado como o livro de mão e a sua representação bibliográfica dos aspectos sociais, artísticos e musicais da poesia renascentista. Divulgarei os resultados da pesquisa em artigos acadêmicos e, em tempo, na edição dos fac-símiles dos apógrafos parisienses, com as remessas da poesia mirandina ao príncipe, contendo a sua transcrição e anotações sobre os seus registros dos diversos empregos sociais da palavra poética na monarquia cristã portuguesa do século XVI. (AU)

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