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A constituição da filosofia natural experimental no estudo dos seres vivos no Século XVII: contribuições de Francesco Redi para a História da Biologia

Processo: 16/22410-4
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 15 de agosto de 2017
Vigência (Término): 14 de janeiro de 2018
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História das Ciências
Pesquisador responsável:Maria Elice de Brzezinski Prestes
Beneficiário:Maria Elice de Brzezinski Prestes
Anfitrião: Robert J. Richards
Instituição-sede: Instituto de Biociências (IB). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa: University of Chicago, Estados Unidos  
Assunto(s):Século XVII   Biologia

Resumo

A concepção preponderante da história da ciência de toda a primeira do século XX foi a de que seu objeto residia na apresentação das principais ideias, conceitos e teorias ao longo do tempo, nas diferentes áreas. Pouca atenção foi direcionada a um dos aspectos mais significativos das ciências modernas, a questão da observação e dos experimentos. Há uma bibliografia restrita sobre o desenvolvimento da metodologia experimental como um todo. Sabemos que os estudos dos naturalistas durante a Antiguidade e Renascimento eram principalmente de tipo descritivo, e que no século XX a Biologia já utilizava uma abordagem principalmente experimental. Mas sabemos pouco sobre o modo como se deu essa transição, de que forma e através de quais pesquisadores. A presente pesquisa objetiva a análise, contextualização e tradução para o português de uma obra que figura entre os clássicos da história da biologia, o livro Esperienze intorno alla generazione degl'insetti (Experimentos sobre a geração de insetos), do naturalista italiano Francesco Redi (1626-1698), de 1668. Em geral, Francesco Redi é lembrado pelo combate à ideia de geração espontânea dos seres vivos, por meio de experimentos que mostraram que as larvas que surgiam sobre carnes descobertas originavam-se de ovos depositados por moscas. Contudo, nessa obra Redi defendeu uma posição bastante moderada ou mais complexa em relação ao tema. Além dos resultados dos experimentos com alimentos em decomposição e da discussão da opinião defendida por contemporâneos, de que animais provêm de ovos, em outras observações ao longo do livro, Redi atribuiu um poder produtivo à "alma vegetativa", capacitando-a a gerar nova vida vegetal e animal. Em outras palavras, manteve, portanto, com base em um sistema metafísico mais amplo uma esfera de ocorrência da geração espontânea. Em termos quantitativos, os experimentos afamados de Redi, por sua divulgação até mesmo em livros didáticos de ensino de biologia na escola básica, são descritos nas primeiras 20 páginas do livro. O trecho contém também um apanhado das posições de autores antigos e contemporâneos sobre o surgimento dos corpos vivos, com muitas citações que incluem clássicos da literatura e poesia. Contém também a rejeição dos argumentos desses autores, e tomada de posição, contrária à geração espontânea, defendendo a "geração unívoca" dos seres vivos, com base nos experimentos realizados. Nas restantes 200 páginas do livro, contudo, emerge a posição complexa do autor em relação ao tema da geração, incluindo a defesa de "geração equívoca" (espontânea) em casos como os dos vermes intestinais e da broca em plantas. Ressalte-se que o livro também apresenta também a divisa epistemológica do autor, caracterizada por um empirismo estrito manifesto na discussão sobre o papel dos sentidos e da razão na compreensão das coisas naturais. Assim, a obra possui essa outra relevância pouco explorada na história da biologia, relacionada à reflexão explícita sobre o método experimental de investigação das funções vitais no âmbito da filosofia natural do século XVII. Conjugando metodologias da historiografia contemporânea da ciência e do ato tradutório, o produto desta pesquisa será uma tradução comentada em que se fará a inclusão de notas a respeito do próprio processo de tradução, bem como de notas voltadas à contextualização histórica, que permitam levar o leitor até o autor e ao período em que foi escrita. A consequência esperada é a disponibilização em português de fonte primária relevante da história da biologia que possa subsidiar o ensino da história dessa disciplina nos cursos de bacharelado e licenciatura em ciências biológicas no Brasil. (AU)

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