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Novos começos na vida política e subjetiva - uma aproximação entre Jaques Lacan e Hannah Arendt

Processo: 13/21333-8
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Doutorado
Vigência (Início): 01 de janeiro de 2014
Vigência (Término): 30 de junho de 2014
Área do conhecimento:Interdisciplinar
Pesquisador responsável:Paulo Cesar Endo
Beneficiário:Gabriela Gomes Costardi
Supervisor no Exterior: Kenneth Reinhard
Instituição-sede: Instituto de Psicologia (IP). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa: University of California, Los Angeles (UCLA), Estados Unidos  
Vinculado à bolsa:12/13541-7 - A autoridade como possibilidade de enlaçamento entre a fundação e a transmissão, BP.DR
Assunto(s):Liberdade   Psicanálise   Ideologia política

Resumo

Esta pesquisa propõe um diálogo entre o pensamento de Hannah Arendt e a psicanálise de Freud e Lacan através de investigação de duas questões principais. A primeira pergunta se o conceito arendtiano de ação política pode inspirar uma teoria lacaniana sobre a liberdade, e a segunda investiga em que medida a noção arendtiana de pluralidade política e seus desdobramentos em relação ao republicanismo e ao sistema de conselhos podem ser lidas a partir da lógica da sexualidade feminina em Lacan, com vistas a oferecer uma alternativa às concepções de política baseadas na soberania. Para Hannah Arendt, os homens são livres enquanto agem em conserto em um mundo compartilhado, o que os torna aptos a empreender novos começos ao longo do curso da história. Trata-se de um conceito positivo e performativo de liberdade, oposto tanto à noção filosófica de liberdade como vontade soberana, quanto às concepções Marxista e liberal de liberdade como consequência da justiça social, no primeiro caso, ou da igualdade de direitos, no segundo caso. A psicanálise, por sua vez, não possui uma concepção sobre a liberdade, ainda que ela proponha que, através do ato analítico, o sujeito do inconsciente pode superar a determinação inconsciente e experimentar novos começos. Portanto, na investigação da primeira questão, serão confrontados o conceito arendtiano de ação política e a noção lacaniana de ato analítico, na medida em que ambos estão relacionados à quebra da repetição, além de compartilharem a mesma estrutura, a saber: a imprevisibilidade dos resultados, a irreversibilidade do processo e o anonimato dos autores. A análise da segunda questão leva em conta que Hannah Arendt propõe um modelo não-soberano de associação entre as pessoas em sua noção de pluralidade política e em sua leitura do republicanismo e o do sistema de conselhos, tal como Lacan oferece um modelo de não-soberania ao propor a lógica feminina da sexuação. Lacan formulou a lógica masculina da sexuação baseado no mito freudiano sobre o assassinato do pai primevo -em Totem e Tabu-, onde o pai proíbe todos os filhos de usufruírem do gozo sexual e coloca-se como exceção a essa proibição. Ou seja, a lógica masculina é a da exceção que causa a regra, o que implica que o conjunto dos homens seja homogêneo quanto à submissão à castração. Por outro lado, a lógica da sexuação feminina afirma que todas as mulheres estão submetidas à castração, sem exceção, ainda que ao modo do não-todo. Ou seja, as mulheres não compõem uma unidade homogênea senão entram na série feminina como indivíduos. O princípio da não homogeneidade também rege a pluralidade política, o republicanismo e o sistema de conselhos para Arendt, já que os homens se individualizam pela ação política e a deliberação conjunta se estabelece pela coordenação de opiniões diversas e não pelo princípio unificatório da vontade geral encarnada no homem forte, o líder soberano. Nessa linha, o encontro entre a política arendtiana e aquela da psicanálise será proposto não pela tradicional leitura de Totem e Tabu ao modo da sexualidade masculina, mas a partir da relação desta com a lógica feminina da sexuação. A pesquisa levará em conta algumas proposições psicanalíticas para guiar seus procedimentos metodológicos, a saber: leitura e escrita como operações concernentes ao Real, a vertente transferencial do processo de pesquisa e a noção de inspiração como princípio para o estabelecimento do diálogo entre as teorias. (AU)

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