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Consubstancialidade de gênero, classe e raça no trabalho coletivo/associativo

Processo: 10/12307-5
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de novembro de 2010
Vigência (Término): 14 de outubro de 2014
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Educação
Pesquisador responsável:Marcia de Paula Leite
Beneficiário:Carolina Orquiza Cherfem
Instituição-sede: Faculdade de Educação (FE). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Associativismo   Organização social   Economia solidária   Divisão do trabalho   Estudos de gênero

Resumo

Esta pesquisa se desenvolveu no âmbito das práticas cooperativas e associativistas de grupos populares que se organizam em busca de geração de renda e são reunidos pela chamada Economia Solidária (ES). Essas práticas sociais, por sua vez, agrupam grande quantidade de mulheres e de negros e negras, o que não vem sendo tratado com a relevância social e política que este fato suscita. Neste contexto, algumas estudiosas que se dedicam à divisão sexual do trabalho buscam compreender os motivos da grande quantidade de mulheres encontradas nessas organizações, bem como identificar o lugar que elas ocupam nas mesmas. Contudo, os estudos em torno das questões raciais na ES não vêm apresentando a mesma amplitude: Qual a cor/raça dos participantes da Economia Solidária? Será que estas práticas sociais podem mudar o contexto de exclusão da população negra? Com o intuito de compreender este cenário, a tese defendida nesta investigação é a de que os projetos associativos e de trabalho coletivo, agrupados pelas políticas de Economia Solidária, apresentam a prioridade de enfrentamento das relações de classe, focados, sobretudo, no desemprego, oportunidades de geração de renda e superação da fome e miséria de parte da população brasileira. Porém, não priorizam as questões de gênero e raça com a mesma relevância, não considerando o cruzamento dessas relações sociais como estruturantes da sociedade, tanto como a classe. O referencial teórico-metodológico que a embasou, portanto, compreende as relações sociais por meio do cruzamento das categorias de dominação que lhes configuram, a saber: a classe, a raça e o gênero, sintetizado pelo conceito de consubstancialidade. A pesquisa foi realizada em três Organizações Sociais Produtivas (OSPs) distintas que apresentam relações com diferentes movimentos sociais e que priorizam a qualificação de seus trabalhadores e trabalhadoras. As iniciativas pesquisadas foram: Empresa Recuperada Catende-Harmonia - Recife/ Pernambuco (inserida num setor predominantemente masculino); Rede de Mulheres Produtoras do Recife e Região Metropolitana (inserida no setor de artesanato, prioritariamente feminino); Cooperativa de Triagem de Resíduos Sólidos "Bom Sucesso" - Campinas/São Paulo (representa um setor misto, com grande presença da população negra). Os resultados identificaram que a ênfase dada à classe social está presente pela própria existência das OSPs que se desenvolvem no enfrentamento com estruturas e grupos de poder que mantém as desigualdades sociais. Contudo, essa luta de classes tem cor e sexo que as deixam cada vez mais complexas, o que nem sempre é considerado nas práticas de ES. Tal comprovação se deu pela identificação da divisão sexual do trabalho no interior das iniciativas pesquisadas e pelas oportunidades diferenciadas para homens e mulheres em algumas experiências. Também se deu pelo silenciamento das questões raciais e pela tendência ao enegrecimento da população no âmbito das iniciativas pesquisadas. Por outro lado, os resultados apontaram avanços significativos como a possibilidade de mobilidade social proporcionada pelas experiências pesquisadas, na medida em que homens e mulheres, negros e negras, de baixa escolaridade e renda, tiveram oportunidades significativas de ampliar suas qualificações técnica, política e de gestão coletiva e, a partir disso, puderam mudar de grupo social. Nessa direção, a pesquisa indicou nuances importantes para que as políticas públicas de Economia Solidária sejam compreendidas de modo consubstancial, bem como contribuiu para que outras pesquisas desenvolvidas neste campo de estudo e de ação prática possam ser analizadas a partir do cruzamento das relaçôes sociais de classe, raça e gênero.

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