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Gênese e significado paleoambiental das coquinas de crustáceos da Formação Assistência (Subgrupo Irati), permiano, Bacia do Paraná, no Estado de São Paulo

Processo: 09/12484-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de março de 2010
Vigência (Término): 30 de setembro de 2011
Área do conhecimento:Ciências Exatas e da Terra - Geociências - Geologia
Pesquisador responsável:Marcello Guimarães Simões
Beneficiário:Suzana Aparecida Matos da Silva
Instituição-sede: Instituto de Biociências (IBB). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Botucatu. Botucatu , SP, Brasil
Assunto(s):Permiano   Tafonomia   Bacia do Paraná

Resumo

Famosa pela presença dos répteis mesossaurídeos, as rochas do Subgrupo Irati, Artinskiano, Eopermiano, da Bacia do Paraná, foram depositadas em condições de mar restrito, progressivamente mais salino da base para o topo e apresentando faciologia complexa, incluindo folhelhos, folhelhos betuminosos, arenitos, margas, carbonatos e anidrita. Tais depósitos são representativos de deposição em bacia com configuração complexa, envolvendo ambientes de golfos e baías de profundidades e salinidades extremamente variáveis. Nessa unidade ocorrem também, além dos mesossaurídeos, outros vertebrados, vegetais fósseis (principalmente troncos de gimnospermas), invertebrados (crustáceos malacóstracos, raros insetos e possíveis foraminíferos ainda não formalmente descritos), estromatólitos e os últimos acritarcas registrados na Bacia do Paraná. Os crustáceos malacóstracos (Paulocaris, Liocaris e "Pygaspsis") se destacam como os principais invertebrados do registro fóssil do Subgrupo Irati, sendo a muito conhecidos. As principais ocorrências bem documentadas estão na borda leste (Santa Catarina e São Paulo) e oeste (Goiás) da Bacia do Paraná. Aspecto notável e não explorado do registro fóssil desses crustáceos diz respeito ao fato de, em diversas localidades do Estado de São Paulo e Goiás existir acúmulo denso de carapaças de crustáceos, à moda de coquinas ou micro-coquinas, nos calcários da Formação Assistência e unidades coevas. Conforme discutido nessa proposta, coquinas são depósitos sedimentares extremamente importantes do ponto de vista tafonômico e estratigráfico, oferecendo exemplos diversos de situações bioestratinômicas/sedimentológicas e de relações complexas entre as rochas portadoras e outras que compõem a sucessão sedimentar da Formação Assistência. Coquinas não ocorrem aleatoriamente ao longo das sucessões sedimentares, representando, geralmente, depósitos associados a eventos episódicos, materializando tempestitos proximais a distais. Por esse motivo, as coquinas são importantes indicadoras de mudanças no nível de base das bacias sedimentares e úteis como marcadoras de parasseqüências. Além disso, a estudo tafonômico da preservação diferencial de partes duras dos crustáceos, principalmente com relação à orientação dos bioclastos na matriz sedimentar, a articulação da carapaça, a fragmentação e a corrosão estão relacionadas às variações nas taxas de sedimentação e energia do meio. Nesse contexto, o presente projeto de mestrado tem por objetivos responder a seguinte pergunta: quais foram os processos sedimentares e quais foram às condições ambientais necessárias para gerar as coquinas de crustáceos da Formação Assistência (Subgrupo Irati), no Estado de São Paulo e qual o seu significado estratigráfico? Para respondê-la, os seguintes objetivos principais serão cumpridos: a- DESCRIÇÃO detalhada (incluindo petrografia sedimentar) das características tafonômicas das coquinas de crustáceos da Formação Assistência, Subgrupo Irati; b- INTERPRETAÇÃO da gênese das coquinas em termos de processos e produtos sedimentares, procurando classificá-las, segundo os processos de deposição (ênfase na resolução paleoecológica e temporal), c- DETERMINAÇÃO das trajetórias tafonômicas e história bioestratinômica das carapaças de crustáceos que compõem as acumulações e, finalmente, d- ELABORAÇÃO de modelo de deposição para as concentrações bioclásticas estudadas, buscando-se interpretações sobre os seus possíveis significados paleoambientais e a integração com as informações de cunho estratigráfico e sedimentológico. Para isso será examinado material já coletado, depositado na Coleção de Paleontologia da UNICAMP, e material adicional oriundo de coletas nas pedreiras do Subgrupo Irati, Formação Assistência, em Angatuba, Cesário Lange, Itapetininga, Ipeúna, Limeira, Pereiras, Saltinho e Tietê. (AU)

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