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Livros e subversão - seis estudos

Resumo

A força dos livros enquanto veículo de difusão de ideias é reconhecida e temida pelos regimes autoritários; é deste temor que nascem as atividades censórias contra livros. Esta coletânea reúne seis estudos que são resultados de pesquisas sobre casos, ocorridos no Brasil entre 1964 e 1985, em que livros foram vistos pelo poder ditatorial como possíveis instrumentos de subversão da ordem estabelecida e, portanto, como potenciais inimigos a serem combatidos. Este livro também apresenta, por outro lado, estudos sobre editores e livreiros que fizeram de suas atividades profissionais uma forma de luta por mudanças da realidade social. Os estudos aqui publicados envolveram análises de documentos, muitos deles pouco estudados e mesmo inéditos.No artigo "Zueno, Zoany, Zwenir: rastros da vigilância ao jornalista Zuenir Ventura durante a ditadura militar", F. Quintino mostra como se dava a vigilância e a perseguição aos suspeitos de subversão, em particular aos acusados de vinculações ou simpatias com ideias comunistas. Quintino encontrou documentos do DOPS referentes a uma sindicância instaurada para investigar a remessa de onze livros de "natureza subversiva" trazidos da França por solicitação de Ventura. No ensaio "Do erótico ao político: a trajetória da Global Editora na década de 1970" F. Maués aborda a singular trajetória da Global: de uma editora generalista -em que se destacavam livros eróticos - para uma editora de livros políticos. O estudo de Ana Caroline Castro no artigo "Livros como prova de subversão: um processo judicial" mostra-nos como a posse de vinte e um livros de "literatura comunista" foi o primeiro item arrolado na acusação de subversão contra Francisco Gomes, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN). A acusação contra Francisco Gomes é parte do processo 102 do Projeto Brasil: Nunca Mais.O editor Ênio Silveira, concomitantemente à sua grande e relevante atuação no mundo dos livros, editou também periódicos, com destaque para a Revista Civilização Brasileira. Esse periódico e seu fechamento, motivado por ameaças e intimidações da repressão são os temas do artigo de Andrea Lemos.As consequências de uma conjuntura de fechamento político sobre editores e livreiros são analisadas nos artigos de S. Reimão, F. Maués e João Elias Nery. No artigo "Uma edição perigosa: a publicação de O Estado e a Revolução, de Lênin, às vésperas do AI-5" os autores analisam como a decretação do AI-5 levou à prisão dos editores da obra de Lênin, feita por uma pequena editora de Niterói, Rio de Janeiro, em outubro de 1968, ou seja, cerca de dois meses antes do AI-5, e ao fim do projeto original da própria editora, que pretendia ter uma atuação política e de intervenção. No estudo denominado " 'Quem muda o mundo são as pessoas' - a Banca da Cultura do CRUSP" os autores estudam a livraria que foi fundada em fevereiro de 1967 e que manteve-se em funcionamento no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (CRUSP) até 17 de dezembro de 1968, quando tropas do II Exército invadiram o Conjunto.Acreditamos que o conjunto dos textos que compõem este livro permite uma visão clara e ampla do sentido político e de intervenção social que a edição de livros tem, em especial em momentos nos quais as liberdades democráticas são atacadas. Seja como elementos de prova de uma possível ação subversiva (artigos de Ana Caroline Castro e Felipe Quintino), seja como o resultado do trabalho organizado de editores e livreiros que buscam intervir na vida social (artigos de Andrea Lemos, Flamarion Maués, Sandra Reimão e João Elias Nery), os livros são encarados pelos poderes repressivos como algo a ser vigiado e, se possível, impedido de circular. O poder que os livros possuem, a força das ideias impressas, por sua capacidade de difusão, é que dá aos impressos - e em especial aos livros - seu significado cultural e político insubstituível na história. (AU)

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