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O teatro popular em São Paulo: a Companhia de Revistas, Burletas e Comédias Sebastião Arruda

Processo: 06/06438-4
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de abril de 2007 - 31 de março de 2009
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Artes - Teatro
Pesquisador responsável:Elizabeth Ferreira Cardoso Ribeiro Azevedo
Beneficiário:Elizabeth Ferreira Cardoso Ribeiro Azevedo
Instituição-sede: Escola de Comunicações e Artes (ECA). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Musical  Dramaturgia  Comédia  Música popular 

Resumo

A pesquisa aqui proposta pretende debruçar-se sobre a trajetória da Companhia Arruda, grupo de teatro criado em São Paulo em 1916 pelo ator paulista de maior importância desse período: Sebastião Arruda (1877-1941). Arruda, ator cômico de reconhecido valor, foi responsável durante anos, de 1916 até a década de 30, pela única companhia profissional estável a existir na capital paulista. Até o advento do fenômeno do TBC, em 1948, São Paulo não teve outra companhia que sobrevivesse face à concorrência das companhias visitantes vindas do Rio de Janeiro ou mesmo de fora do Brasil. Tais companhias, capitaneadas por figuras de destaque como Leopoldo Fróes, Jacinto Heller, Cristiano de Souza ou Procópio Ferreira, apenas para citar alguns, faziam temporadas mais ou menos regulares na cidade desde o final do século XIX e nas primeiras décadas do XX. Tentativas de se fundar uma companhia paulista até que foram feitas. Na década de 10, Pedro Augusto Gomes Cardim criou a Companhia Dramática de São Paulo, na qual tomava parte a atriz Itália Fausta. Contudo, pouco depois, o grupo mudou de nome e de cidade. Passou a chamar-se Companhia Dramática Nacional e ter como endereço o Rio de Janeiro. A companhia do grande ator Procópio Ferreira tem história semelhante. Embora tenha estreado em São Paulo, em 1924, passou a sediar-se na capital federal. Outras experiências menos conseqüentes também tiveram lugar nesses primeiros anos do século XX. Diante desse quadro, a Companhia Arruda destaca-se como um caso à parte e que merece ser estudada detidamente. Deveu-se seu sucesso à escolha de um repertório essencialmente regional? Deveu-se à atuação empresarial mais competente de Sebastião Arruda? Como pode ser traçado sua trajetória desde seu início no interior paulista, em Mococa, até seu sucesso quase que imediato em São Paulo a partir de 1920? Qual a repercussão nacional que teve a companhia? Sabe-se, por exemplo, que o ator Mazzaropi, conhecido por ter imortalizado no cinema a figura do caipira nos anos 50, inspirou-se, declaradamente, no tipo criado por Sebastião Arruda no teatro. É grande o número de burletas, comédias, paródias e revistas escritas especialmente para a companhia, senão, objetivamente, para o ator Arruda. Além de se considerar o percurso histórico da Companhia e de seu principal ator, a pesquisa abrirá espaço para a análise da dramaturgia escolhida para ser apresentada pelo grupo. Um primeiro contato com a história da trupe deixa claro que o sucesso alcançado por ela incentivou a produção dramatúrgica local, lançando novos autores, alguns deles de renome como Juo Bananére (pseudônimo de Alexandre Marcondes Machado), Danton Vampré e Arlindo Leal. É sempre bom lembrar que aquela era a época de ouro do teatro musical brasileiro. Assim, juntamente com o surgimento de novos autores, emergiram novos músicos (maestros e letristas) que se encarregavam dos números musicais incluídos nas peças. Esse fenômeno, por outro lado, liga-se ao momento de afirmação da música popular urbana, devido ao crescimento das cidades brasileiras. Sabe-se que a divulgação dos sucessos musicais num período de dificuldades de reprodução sonora e ainda pré-radiofônica era feita pelo teatro ou, por outro lado, que ele se apropriava dos eventuais sucessos populares como tema de seus espetáculos. Portanto, centrando o foco da pesquisa em Arruda e sua Companhia será possível traçar um perfil, uma linha mestra, da feição teatral paulista do período, dos dramaturgos e músicos de maior destaque, além de ser possível analisar as condições e formas de organização empresarial de uma companhia teatral no início do século no Brasil. (AU)

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