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Spatial clusters of suicide in the Municipality of São Paulo 1996-2005: an ecological study

Resumo

Em seu estudo clássico, Durkheim mapeou as taxas de suicídio, riqueza e baixa densidade familiar e percebeu que eles formavam agrupamentos coincidentes no norte da França. Avaliando outras variáveis, tais como religião, ele construiu um arcabouço teórico para a análise do suicídio, que ainda permite comparações internacionais com base na mesma metodologia. O presente estudo tem como objetivo identificar possíveis agrupamentos significativos de suicídio no município de São Paulo e, então, verificar suas associações estatísticas com características sócio-econômicas e culturais. Foi aplicado um teste de varredura espacial para analisar o padrão geográfico das mortes por suicídio de residentes no município de São Paulo por Distrito Administrativo, de 1996 a 2005. Os riscos relativos e os agrupamentos altos e/ou baixos, calculados considerando-se o gênero e a idade como co-variáveis, foram analisados por meio de estatística espacial de varredura para identificar padrões geográficos. Regressão logística foi usada para estimar associações com variáveis socioeconômicas, considerando-se o agrupamento espacial alto como variável dependente. A partir do original de Durkheim, do relatório da Organização Mundial da Saúde e revisões recentes, as seguintes variáveis independentes foram consideradas: estado civil, renda, educação, religião e migração. A taxa média de suicídio foi de 4,1/100.000 habitantes/ano. Dois agrupamentos espaciais foram encontrados: o primeiro, de risco alto (RR=1,66), compreendendo 18 distritos da porção central do município; o segundo, de risco baixo (RR=0,78), incluindo 14 distritos na região sul. A área central em direção à região sudoeste do município, mostra o risco mais alto para suicídio e, embora o risco geral seja baixo, a taxa se eleva para um nível intermediário nesta região. A análise de regressão logística contrastou o agrupamento de risco (18 distritos) com os outros 78 distritos, testando os efeitos das variáveis socioeconômico-culturais. As seguintes categorias de proporção de pessoas dentro dos agrupamentos foram identificadas como fatores de risco: solteiros (OR=2,36), migrantes (OR=1,50), católicos (OR=1,37) e renda elevada (OR=1,06). No segundo modelo logístico, as seguintes categorias de proporções de pessoas foram identificadas como fatores de proteção: casados (OR=0,49) e evangélicos (OR=0,60). O perfil risco/proteção está de acordo com a interpretação de que como fenômeno social, o suicídio está relacionado ao isolamento social. Portanto, o clássico arcabouço desenvolvido por Durkheim parece ainda ter validade, embora sua expressão categórica requeira re-interpretação. (AU)

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