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Estudos de genética molecular em transtornos do humor

Resumo

Os estudos em genética molecular humana têm contribuído enormemente para uma melhor compreensão das doenças. Por meio de suas técnicas, muitos genes causadores de doenças mendelianas já foram mapeados e clonados. Mais recentemente, se tem também procurado identificar genes que contribuam para o aparecimento das chamadas doenças multifatoriais ou complexas. Para este projeto, são propostos dois estudos em genética molecular envolvendo genes candidatos e transtornos do humor. São eles: estudo 1: o primeiro estudo investigará, por meio de análises de ligação (linkage) e de linkage disequilibrium, genes candidatos que participem na etiopatogenia do transtorno afetivo bipolar (TAB). Amostra: inicialmente será coletada uma amostra de aproximadamente 100 pacientes com diagnóstico de TAB segundo os critérios da Associação Americana de Psiquiatria (APA, DSM-IV 1994). Será também utilizado o programa de computador Opcrit (McGuffin e col., 1991), que fornecerá o diagnóstico segundo outros sistemas classificatórios. Para a coleta das informações clínicas, serão utilizados tanto prontuários médicos como também uma entrevista semiestruturada, o Sads-L (schizophrenia and afective disorders - Lifetime version - Spitzer & Endicott, 1978). Além da entrevista, serão coletados de cada paciente cerca de 10-20 ml de sangue venoso periférico para extração de DNA. Também serão coletadas amostras de sangue de ambos os pais de cada paciente. Quando possível, serão também entrevistados e coletado o sangue de outros irmãos afetados. Critérios de exclusão: idade menor que 18 anos; ausência ou falecimento de um dos pais. Ter-se-ão também à disposição 22 famílias bipolares previamente coletadas, das quais foram extraídos DNA de 140 indivíduos, sendo 64 com diagnóstico de TAB. Estudos genéticos: os genes candidatos a ser investigados no TAB podem ser subdivididos em: (a.1) família de genes que regulam a bomba de sódio-potássio (NA+ K+ ATPase); (b.1) genes envolvidos no sistema de neurotransmissores do tipo catecolaminas; (c.1) regiões cromossômicas específicas recentemente associadas ao TAB (cromossomo 4 - Blackwood e col., 1996; cromossomo 18 - Freimer e col., 1996). Estudo 2: o segundo estudo analisará genes candidatos que possam determinar o padrão de resposta clínica ao antidepressivo do tipo inibidores da monoaminoxidase (Imao) em pacientes com depressão severa. Amostra: serão estudados dois grupos de pacientes com depressão severa segundo os critérios do DSM-IV (APA, 1994). O primeiro grupo será composto de 50 pacientes com depressão recorrente e que responderam ao tratamento com medicação antidepressiva do tipo tricíclico ou do tipo inibidores seletivos da recaptação de serotonina. O segundo grupo, também de 50 pacientes com depressão recorrente, mas que no entanto responderam apenas à medicação antidepressiva do tipo inibidores da monoaminoxidase (Imao). Para avaliar o padrão de resposta ao tratamento, será utilizada a escala de Hamilton para depressão (Hamilton,1960). Serão também utilizados o Sads-L e o Opcrit, descritos no primeiro estudo. Será colhido sangue venoso periférico (aproximadamente 10 ml para extração de DNA) de cada paciente, assim como de seus respectivos pais. Critérios de inclusão serão: idade maior que 18 anos, presença de pelo menos dois episódios de depressão severa, ambos os pais vivos e interessados em participar do projeto. Há duas considerações a serem feitas: 1) um dos principais problemas metodológicos na investigação de doenças complexas é a definição precisa do fenótipo. A estratégia adotada para abordar esse problema foi selecionar pacientes com depressão severa e que responderam a um antidepressivo específico, pretendendo-se dessa maneira selecionar uma amostra mais homogênea de pacientes com depressão; 2) trata-se de um estudo original, pois não há nenhuma publicação internacional até o momento utilizando tal metodologia em transtornos depressivos. Estudos genéticos: a observação de que um grupo de pacientes deprimidos responde aos Imaos sugere que os sistemas envolvidos na regulação da MAO estão relacionados à patogênese do transtorno depressivo. Portanto, iremos investigar na amostra coletada: (a.2) as variantes dos genes que codificam para a monoaminoxidase (MAO); (b.2) as variantes do gene que codifica a catecol-O-metiltransferase (COMT); (c.2) as variantes de genes que codificam os receptores serotonérgicos. As técnicas laboratoriais, tais como extração de DNA, amplificação in vitro (PCR), ou detecção de fragmentos de DNA, quer por radioisótopo, nitrato de prata ou etidiobromide, são já bem estabelecidas e descritas em várias livros de protocolo. A nossa fonte principal de consulta será o manual de laboratório de Sambrook J. e Colo (1989). As análises estatísticas para os estudos de ligação (linkage) serão realizadas utizando-se tanto o método paramétrico-a-análise pelo lodscore (MLINKv5.3; Lathrop e col., 1984) como o método não paramétrico-a-análise dos pares de irmãos afetados (Espa; Sandkuijl, 1989). Para os estudos de associação (linkage disequilibrium), será utilizado o programa ETDT (Extended Transmission Disequilibrium Test) de Sham & Curtis, 1995. (AU)

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Publicações científicas
(Referências obtidas automaticamente do Web of Science e do SciELO, por meio da informação sobre o financiamento pela FAPESP e o número do processo correspondente, incluída na publicação pelos autores)
GUILHERME P MESSAS; VALENTIM GENTIL; MICHAEL GILL; ROBIN MURRAY; HOMERO PINTO VALLADA. Ausência de efeito de gênero em esquizofrenia familiar: um estudo brasileiro. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 58, n. 2B, p. 494-498, Jun. 2000.
MEIRA-LIMA‚ I.V.; PEREIRA‚ A.C.; MOTA‚ G.F.A.; KRIEGER‚ J.E.; VALLADA‚ H. Angiotensinogen and angiotensin converting enzyme gene polymorphisms and the risk of bipolar affective disorder in humans. Neuroscience Letters, v. 293, n. 2, p. 103-106, 2000.
HOMERO PINTO VALLADA FILHO. Psicofarmacogenética: uma nova abordagem terapêutica. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 21, p. 27-30, Out. 1999.

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