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O dilema da incomunicabilidade - aplicação do projeto

Resumo

O projeto de pesquisa ocupa-se com a investigação de uma das questões mais agudas da atualidade, tanto do ponto de vista subjetivo, quanto do interpessoal e do social. A de que nós, humanos, enquanto seres sociais, temos o desejo de comunicação, fato esse, contudo, que não significa que possamos, de fato, realizar a comunicação. Entre intenção e ato interpõe-se uma distância excepcional. A incomunicabilidade, o dilema de nosso tempo, torna-se ainda mais radical e dramático particularmente numa época histórica abastecida com uma quantidade e uma intensidade fantástica de aparelhos para comunicar. Mas, sem dúvida, exatamente por isso; o tamanho de nossa angústia de comunicar pode-se medir pela desmesurada criação e fabricação de instrumentos para a comunicação. Esta justifica aquela. Esta pesquisa atuará em três planos. No amplo campo das formas sociais da difusão em massa, a incomunicabilidade se dá, por exemplo, na produção e emissão de notícias, situação em que jornalistas e empresas de comunicação irradiam quantidades diárias de sinais, cuja receptividade é incerta e cujos efeitos não podem ser plenamente verificados. O jornalismo acredita realizar a comunicação, mas produz, efetivamente, na melhor das hipóteses, informações. As informações são reconhecidas e apreendidas pelo público receptor, mas não possuem, por hipótese, a capacidade de efetuar transformações de fundo, efeito esse que cabe antes à comunicação, ocorrência procurada, mas incomum nos processos informativos. Num plano menor, intersubjetivo, a incomunicabilidade efetiva-se como diferença inconciliável entre os sexos, tomando-se como pressuposto que a sexualidade masculina não reconhece a particularidade comunicacional lógica e existencial do feminino, tentando reduzi-la à sua fórmula e à sua própria ordenação conceitual Essa dificuldade se torna ainda mais explícita no relacionamento de casais, onde o universo da diferença estrutural das singularidades sexuais alcança seu paroxismo na patologia da incomunicabilidade conjugal Por fim, a incomunicabilidade opera no plano das individualidades e das subjetividades, testemunhadas pelo isolamento estrutural da sociedade (especialmente de massas), em que cada um revela a 'impossibilidade radical de sair de si' ou de partilhar vivências e emoções que se encontram na chamada 'vida solitária da alma'. Esse dilema encontra seu paroxismo, por hipótese, no fato de a vontade de comunicar tornar-se, em casos extremos, desespero radical por comunicabilidade, que só acaba se externalizando no 'extremo possível do homem', a saber, em formas, como por exemplo, do desejo da própria morte. (AU)

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