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Uma idéia de pragmática filosófica

Resumo

1) A concepção de Pragmática Filosófica a ser aqui explorada é o resultado da reflexão a respeito de questões epistemológicas levantadas por certos filósofos. São questões relativas aos fundamentos do conhecimento, em geral, e, em particular, à possibilidade de aplicação dos conceitos à experiência assim como ao papel desempenhado pelo simbolismo lingüístico na organização dos conteúdos da experiência em formas conceituais. A concepção que tentarei expor consiste em sugerir que uma interpretação filosófica da ligação entre o empírico e, particularmente, o simbolismo lingüístico deve passar pela aplicação de conceitos de natureza pragmática, sem os quais essa interpretação correrá o risco do dogmatismo - tanto realista como idealista. 2) Uma parte das raízes desta concepção de Pragmática encontra-se no solo da discussão a respeito da necessidade analítica e da necessidade sintética: como interpretar estas duas formas da necessidade em nosso conhecimento? Nos dois casos, reconhecemos a presença da necessidade, mas revestida, em cada um, de características bastantes distintas: no primeiro, explicitamos um aspecto da definição enquanto que, no segundo, apresentamos um novo aspecto do conceito que não poderá ser refutado pela experiência. Com o empirismo lógico, a interpretação Kantiana, que consiste em indicar elementos de natureza transcendental sob a forma de princípios a priori da percepção em geral, é substituída pela idéia de elementos de natureza lógica, relações e propriedades, que permitem organizar a priori a experiência, mas sem qualquer intervenção de formas apreensivas fornecidas por um sujeito epistêmico pré-lingüístico: é a forma lógica, em qualquer de suas variantes, que vem explicar a necessidade presente nas ligações analíticas, e não mais os princípios puros presentes no sujeito epistêmico - deixando de haver lugar para a necessidade sintética. Nesse contexto, interessa-me salientar, exclusivamente, que o deslocamento da idéia de transcendental das formas do sujeito epistêmico para a forma lógica leva a uma nova concepção de objeto, ou melhor, de objetividade enquanto propriedade atribuída, em geral, pelo pensamento aos fragmentos da experiência. 3) Outro elemento presente na concepção de Pragmática aqui exposta encontra-se no que poderíamos denominar de 'empirismo formal' de G-G. Granger. Dessa modalidade de empirismo, gostaria de reter alguns pontos. Em primeiro lugar, sua concepção do transcendental. Partindo de Kant, trata-se de um alargamento e de uma mudança de foco da função transcendental. Por outro lado, a determinação a priori de um campo de possibilidades para operações em geral deixa de ser definitiva e fixa, passando a assimilar a dimensão histórica: será, agora, um campo determinado ainda a priori, mas provisoriamente, sujeito às mudanças e transformações internas que podem ocorrer nos diferentes campos do conhecimento. Daí, a inadequação de tabelas de princípios a priori e de categorias que, por mais gerais que possam ser, nunca deixarão de corresponder a pontos de vista teóricos ou filosóficos mais ou menos precisos, sujeitos que são às inevitáveis marcas estilística e histórica de sua expressão; a vida e as transformações dos conceitos passam, aqui, a indicar a priori os campos provisórios de possibilidade para as operações cognitivas. Em segundo lugar, gostaria também de reter a concepção de significação que nos propõe Granger. Esse conceito permite-lhe introduzir o conceito de estilo através da idéia de uso do simbolismo: o estilo é o resultado de um trabalho sistemático sobre o conjunto de elementos que ficam sempre explicitamente excluídos da construção de uma estrutura. No nível da relação simbólica, a significação corresponde aos usos diferenciados que podem ser feitos da ligação original entre o signo e o seu objeto de reenvio. É a idéia de uso, com fortes ressonâncias wittgensteinianas, em suas relações com os conceitos de estilo e significação que me interessa. (AU)

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