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Respostas fisiológicas dinâmicas em adultos obesos e não obesos submetidos a teste de exercício cardiopulmonar

Resumo

Introdução: indivíduos obesos apresentam desempenho reduzido no teste de exercício cardiopulmonar (TECP), considerando principalmente os valores de pico de variáveis como consumo de oxigênio (5IO2), produção de dióxido de carbono (5ICO2), volume corrente (VC), ventilação minuto (VE) e frequência cardíaca (FC). Apesar da importância dos valores de pico, a interpretação e o valor prognóstico do TECP podem ser melhorados por meio da análise das relações submáximas obtidas no TECP, ou seja, considerando-se as taxas simultâneas de mudança de variáveis-chave como ”FC/”5IO2, ”5IE/”5ICO2, ”5IC/”linearizado (ln)VE e inclinação da eficiência de consumo de oxigênio (OUES). No entanto, a influência da obesidade nas respostas dinâmicas acima mencionadas ainda não foi investigada em amostra suficiente. Objetivo: Avaliar o impacto do IMC nas respostas fisiológicas dinâmicas de adultos durante o TECP. Secundariamente, avaliamos o impacto do IMC em diversas outras variáveis máximas e submáximas comumente obtidas nesse exame. Métodos: Foram reexaminados 1594 TECP de indivíduos adultos (e 18 anos) (889 mulheres e 705 homens), dos quais 755 obesos (IMC e 30 kg/m2) (292 homens e 463 mulheres). Excluímos os TECP com diagnóstico de intolerância ao exercício (5IO2 máx. d 83% do previsto). Após avaliação clínica, os participantes realizaram o TECP em esteira rolante seguindo protocolo de rampa. Velocidade e inclinação foram continuamente incrementadas por sistema computadorizado, de acordo com o 5IO2 máx. estimado. Estratificamos os participantes em eutróficos (IMC < 25 kg/m2, n = 442), sobrepeso (IMC e 25 a 29,99 kg/m2, n = 397), obesidade grau 1 (IMC e 30 a 34,99 kg/m2, n = 292), obesidade grau 2 (IMC e 35 a 39,99 kg/m2, n = 247) e obesidade grau 3 (IMC e 40 kg/m2, n = 216). Todas as variáveis obtidas no TECP foram comparadas entre os grupos de IMC por uma série de análises de covariância multivariada (ANCOVA). Ajustamos todos os modelos para idade, sexo e fatores de risco cardiovascular. Resultados: A obesidade influenciou negativamente quase todas as 40 variáveis metabólicas, ventilatórias e cardiovasculares investigadas. Por outro lado, não encontramos influência significativa da obesidade em algumas medidas-chave de eficiência ventilatória, tais como, menor 5IE/5ICO2 (eutrófico, 26,5 ± 3,5; sobrepeso, 26,5 ± 3,1; obesidade grau 1, 26,6 ± 3,1; obesidade grau 2, 26,5 ± 2,8; obesidade grau 3, 26,7 ± 3,1), ”5IE/”5ICO2 (25,7 ± 4,1; 25,4 ± 3,8; 25,4 ± 3,3; 25,3 ± 3,5; 25,4 ± 4,4) e o intercepto da ”5IE/”5ICO2 (3,7 ± 1,9; 3,9 ± 1,9; 3,3 ± 2,0; 3,7 ± 2,5; 3,1 ± 2,5). Conclusões: A obesidade está associada com impacto extremamente negativo na aptidão cardiorrespiratória avaliada objetivamente por meio do TECP. No entanto, os valores prognósticos das principais variáveis de eficiência ventilatória durante o TECP permanecem inalterados na obesidade. Essas respostas submáximas e dinâmicas não dependem do esforço máximo e podem ser úteis para detectar distúrbio ventilatório incipiente. Nossos resultados apresentam grande aplicabilidade prática para identificar a limitação ventilatória ao exercício, independentemente do IMC. (AU)

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