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História agrária da revolução cubana: dilemas do socialismo na periferia

Processo: 21/04559-9
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no exterior
Vigência: 01 de junho de 2021 - 31 de maio de 2022
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História da América
Pesquisador responsável:Joana Salem Vasconcelos
Beneficiário:Joana Salem Vasconcelos
Instituição-sede: Faculdade Cásper Líbero. Fundação Cásper Líbero (FCL). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Cuba  Desenvolvimento  Revolução Cubana 

Resumo

Este livro explica o processo de transformação agrária desencadeado pela Revolução Cubana, enfocando o período de 1959 a 1970. É uma análise histórica dos dilemas econômicos e políticos da transição socialista cubana na agricultura, considerando a condição subdesenvolvida e periférica da ilha e sua dependência das exportações agrárias. Metodologicamente, articula três dimensões lógicas da mudança agrária: regime de propriedade, sistema de cultivos e relações de trabalho no campo.Na primeira dimensão (regime de propriedade), o livro explica como a Revolução Cubana eliminou o latifúndio em quatro anos, superando quatro séculos de concentração fundiária, e descreve qual regime de propriedade foi adotado. Discute as tensões políticas entre diferentes tipos de propriedade na transição socialista, especialmente cooperativas, Granjas del Pueblo estatais e pequenas propriedades privadas da Associação Nacional de Agricultores Pequenos (ANAP).Na segunda dimensão (sistema de cultivos), o livro analisa por que Cuba não conseguiu diversificar a produção agrária e superar o sistema de monocultura da cana-de-açúcar, apesar de ser uma meta primordial do comando revolucionário. O sistema de cultivos cubano é contextualizado na Guerra Fria e a persistência da monocultura está ligada às ofertas da URSS para a estabilidade econômica. São examinados os efeitos colaterais dos pactos econômicos Cuba-URSS sobre a estrutura agrária.Na terceira dimensão (relações de trabalho rural), se examina como a vida dos camponeses cubanos foi transformada pela revolução e destaca as contradições entre a emancipação do trabalho rural e o aumento da produtividade agrária. A substituição dos macheteros por máquinas na colheita da cana-de-açúcar não aconteceu conforme o planejado, levando a um paradoxo da transição: finalmente emancipados, os trabalhadores rurais cubanos trabalharam muito mais pela Revolução do que antes para os antigos latifundiários. Entretanto, o sentimento de coletividade, a subjetividade revolucionária e as brigadas voluntárias pela agricultura funcionaram como extraordinários motores econômicos.Conclui apontando as principais contradições e desafios da revolução agrária cubana, explicando as causas da variedade de ritmos históricos que articulam a mudança do regime de propriedade, as continuidades do sistema de cultivos e as tensões do trabalho rural em uma transição socialista periférica.A pesquisa está baseada em diferentes fontes, como jornais, revistas, relatórios econômicos cubanos, estudos agronômicos da época, discursos políticos, estatísticas da CEPAL e da JUCEPLAN e entrevistas de história oral. Foi originalmente publicado em português pela editora Alameda (2016) com financiamento da FAPESP (2015/11414-6)Estrutura de capítulos:1)A modernização da plantation (1902-1958): descreve a estrutura agrária cubana durante a república neocolonial, observando três dimensões: regime de propriedade, sistema de cultivo e relações de trabalho no campo.2)Primeira Reforma Agrária: impulsos e impasses (1959-1963): narra a primeira reforma agrária revolucionária (17/05/1959), analisando a mudança do regime de propriedade e o processo de expropriação.3)Segunda Reforma Agrária e o paradoxo do açúcar (1963-1967): narra a segunda reforma agrária (03/101963), analisando o sistema de cultivos e o paradoxo da dependência da cana.4)Safra 1970 e estratégia de desenvolvimento (1967-1970): analisa a estratégia de desenvolvimento da safra 1970 explicando o paradoxo mais importante da revolução agrária cubana: o "socialismo canavieiro" pressiona para aumentar a produção enquanto as relações de trabalho rurais emancipadas tendem a relaxar o nível de exploração anterior.5)Entre o subdesenvolvimento e o socialismo: sintetiza a experiência da revolução cubana na agricultura, quanto à sua condição entre o socialismo e o subdesenvolvimento, articulando regime de propriedade, sistema de cultivos e relações de trabalho ao contexto da Guerra Fria. (AU)

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