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Pesquisa molecular de patógenos em filhotes de papagaio Amazona sp. de vida livre: implicações para a conservação

Processo: 21/06577-4
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Artigo
Vigência: 01 de agosto de 2021 - 31 de janeiro de 2022
Área do conhecimento:Ciências Agrárias - Medicina Veterinária - Patologia Animal
Pesquisador responsável:Tânia de Freitas Raso
Beneficiário:Tânia de Freitas Raso
Instituição-sede: Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Avipoxvirus 

Resumo

Aves da ordem Psittaciformes estão entre as mais ameaçadas do Brasil. Das 86 espécies existentes, 24 (27,9%) estão na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza. Os papagaios do gênero Amazona possuem um destaque por estarem entre os mais traficados, principalmente o papagaio verdadeiro (Amazona aestiva). O papagaio-de-cara-roxa (A. brasiliensis) se encontra na categoria quase ameaçada e o papagaio-charão (A. pretrei) na vulnerável, ambos necessitando manejo em vida livre. Além da perda de habitat e do tráfico, a disseminação de patógenos é uma ameaça emergente a essas espécies, em decorrência da ampla movimentação, comércio e manipulação das mesmas. Considerando a falta de informações sobre a saúde desses animais, neste estudo investigamos patógenos selecionados em filhotes de A. aestiva, A. brasiliensis e A. pretrei de vida livre e A. aestiva apreendidos do tráfico. Amostras de 205 Amazona sp. de vida livre foram coletadas de quatro estados brasileiros e amostras de 90 A. aestiva foram coletadas de filhotes apreendidos do tráfico e encaminhados a um Centro de Reabilitação de Animais Silvestres. As amostras foram testadas por meio da PCR para C. psittaci, Psittacid alphaherpesvirus 1, poxvírus e Beak and feather disease vírus (BFDV). O DNA de C. psittaci foi detectado em amostras de cinco filhotes de vida livre, sendo 4,7% em A. aestiva e 2,5% em A. brasiliensis. O DNA dos outros patógenos não foi detectado nas amostras das aves de vida livre ou do tráfico. O sequenciamento da C. psittaci na amostra de um A. brasiliensis revelou alta similaridade com isolados encontrados em psitacídeos no Brasil e pertencentes ao genótipo A. Os resultados do presente estudo demonstram que a prevalência de patógenos em aves de vida livre é baixa e que patógenos exóticos, como o circovírus, podem ainda não ter atingido essas populações, apesar de já estarem presentes em cativeiro no Brasil. Isso reforça a necessidade de proteger a nossa avifauna de ameaças iminentes de introdução e disseminação desses vírus na natureza. Novos protocolos de avaliação de saúde devem ser discutidos e seguidos rigorosamente para a reintrodução de psitacídeos no ambiente natural. Com relação às aves do centro de reabilitação, estas foram isoladas e amostradas logo que chegaram ao centro, não sendo acompanhadas para avaliar os efeitos do cativeiro em longo prazo na saúde das mesmas. Medidas preventivas não podem ser negligenciadas em psitacídeos introduzidos em um plantel, pois pesquisas revelam ocorrência de surtos e a detecção de patógenos relevantes para a conservação dessas aves. Novos estudos devem ser encorajados para um melhor conhecimento da epidemiologia de patógenos em psitacídeos de vida livre e para ampliar o conhecimento dos seus impactos sobre a conservação das espécies ameaçadas. (AU)

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