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Ecologia e evolução cultural de populações antigas no Hemisfério Sul

Resumo

Okumura (Universidade de São Paulo [USP]) e Cochrane (Universidade de Auckland [UA]) são pesquisadores em bioantropologia e arqueologia, especializados em Teoria Evolutiva e métodos quantitativos usados para estudar o passado de grupos humanos. Seus programas de pesquisa examinam populações pretéritas com foco na demografia, interação populacional e variação tecnológica relacionada ao aprendizado social e adaptação em ambientes em mudança. Atualmente, Cochrane pesquisa o desenvolvimento da agricultura e chefias complexas nas ilhas do Pacífico, a migração e demografia das populações do Pacífico e a tecnologia de ferramentas de pedra e de cerâmica. Sua pesquisa é relevante para nossa compreensão das origens da sociedade hierárquica (incluindo populações modernas) e como as populações se adaptam às mudanças nos ambientes. Atualmente, Okumura pesquisa a evolução biocultural de populações pré-históricas no sul de São Paulo (Vale do Ribeira) através da análise de DNA antigo e métodos tradicionais de biodistância (medidas métricas) aplicados a restos humanos, bem como análises de formas ou morfometria geométrica (GMM) aplicada a ferramentas de pedra. Sua pesquisa é relevante para nossa compreensão da evolução biológica e cultural, incluindo os mecanismos por trás das mudanças ao longo do tempo (ou a falta delas). O Vale do Ribeira foi escolhido por ser uma das poucas regiões brasileiras em que existe um registro arqueológico completo dos últimos 11.000 anos, permitindo a realização de um transecto temporal em uma única região. Esta pesquisa é financiada atualmente pela FAPESP através do projeto "Mudança e continuidade em grupos humanos pré-históricos do Vale do Ribeira de Iguape (estados de São Paulo e Paraná): aplicações da Teoria da Evolução a estudos bioarqueológicos e de cultura material". Cochrane contribuirá para essa pesquisa colaborando na análise estilística de cerâmica pré-histórica de um transecto regional que inclui o Vale do Ribeira para determinar os limites sociais de grupos humanos passados. Como o financiamento da FAPESP concedido a Okumura inclui bolsas de estudo relacionadas à análise cerâmica dessa região, Cochrane também supervisionará os atuais alunos de pós-graduação no projeto. Além disso, ela atualmente supervisiona um pesquisador de pós-doutorado em um projeto que inclui análise da cerâmica do Vale do Ribeira, além de outras regiões próximas do estado de São Paulo. Como Cochrane é especialista neste tópico, ele seria uma grande contribuição para esse projeto de pós-doutorado. Um dos projetos atuais de Cochrane se concentra na variação de ferramentas de pedra ao longo de 3.000 anos nas ilhas do Pacífico. Seu objetivo é explicar como a mudança tecnológica pode ser tanto a resposta quanto a causa de mudanças ambientais: uma forma de construção de nicho feita por humanos. Uma análise descritiva preliminar das ferramentas já foi concluída. Okumura contribuirá aplicando análises quantitativas de forma às ferramentas de pedra, usando equipamentos, consumíveis e espaço fornecido pela UA. Com isso, Cochrane e Okumura poderão rastrear mudanças tanto no uso de ferramentas quanto dos ambientes nos quais essas ferramentas foram usadas. Os resultados da pesquisa indicarão a resposta tecnológica das populações passadas às mudanças ambientais globais e como essas respostas também influenciaram os ambientes locais. (AU)

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