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Avançando com o nexo água-energia-alimentos para a adaptação às mudanças climáticas

Resumo

Existe uma preocupação crescente com a segurança hídrica, energética e alimentar em todo o mundo devido ao aumento esperado na demanda por esses recursos diante das mudanças climáticas e das pressões antropogênicas. Embora as questões de água, energia e alimentos tenham sido tradicionalmente abordadas separadamente, a inter-relação entre esses elementos está se tornando cada vez mais importante. Nos últimos anos, o nexo Água-Energia-Alimentos (nexo WEF - water, energy, food) tornou-se uma estrutura amplamente discutida nas áreas acadêmica e política e tem impulsionado cada vez mais a discussão sobre pesquisa e política nos campos do desenvolvimento sustentável e da segurança de recursos. A complexidade dos atuais desafios sociais e ambientais exige que as abordagens holísticas e o pensamento sistêmico sejam compreendidos, e adotar uma perspectiva sistêmica significa ampliar nossa visão e considerar problemas em seus contextos mais amplos. O nexo WEF pode ser considerado como uma aplicação de sistemas que pensam no gerenciamento de água, energia e alimentos, a fim de identificar as compensações e limitar as consequências não desejadas, ou seja, que as soluções setoriais não exacerbam a existência ou levem a novos problemas maiores, e estimular sinergias intersetoriais. Além disso, os impactos das mudanças climáticas nos recursos hídricos, energéticos e alimentares também são multidimensionais, exigindo abordagens de adaptação intersetoriais. Sendo assim, para abordar o nexo WEF deve-se considerar a adaptação às mudanças climáticas. Como os atores locais estão na vanguarda da implementação de políticas favoráveis ao clima, pensar no nexo WEF e na adaptação às mudanças climáticas em um contexto local pode trazer benefícios ambientais e socioeconômicos diretos para as comunidades. Portanto, também vale destacar a importância do conhecimento local para que estratégias de adaptação sejam desenvolvidas de acordo com necessidades específicas locais, o que também pode contribuir para menos perdas entre os recursos do nexo WEF e o aumento de sinergias. Na Nova Zelândia, os setores de água, energia e alimentos são geralmente gerenciados separadamente e a abordagem do nexo WEF está ausente das políticas atuais. A introdução de uma abordagem sistêmica pode, assim, trazer grandes benefícios para a sociedade e o meio ambiente através de uma estrutura política mais integrada para o gerenciamento dos recursos naturais. Por outro lado, a Nova Zelândia tem uma experiência considerável na implementação de políticas colaborativas, lideradas por partes interessadas, no gerenciamento de recursos naturais, quando comparadas com o caso brasileiro. Considerando esse contexto, questões importantes emergem. Quais são as principais questões atuais, oportunidades e lacunas de pesquisa relacionadas ao WEF para contribuir com a adaptação às mudanças climáticas no Brasil e na Nova Zelândia? Até que ponto o método de pensamento sistêmico pode ser ajustado para entender melhor as conexões no nexo? A abordagem do nexo pode ajudar os processos de adaptação às mudanças climáticas? Para investigar essas questões, propomos uma série de atividades de intercâmbio entre pesquisadores da Universidade de São Paulo (Brasil) e da Universidade de Waikato (Nova Zelândia) entre maio de 2020 e abril de 2022 (24 meses no total). A proposta promove a troca de conhecimentos e experiências; estimula a utilização de dados existentes; e estabelece as bases para uma proposta de projeto conjunto. As equipes também oferecerão palestras nos dois países sobre aspectos relacionados à sustentabilidade ambiental como, por exemplo, a comunicação de informações sobre mudanças climáticas aos tomadores de decisão e pesquisa transdisciplinar aplicada ao planejamento da adaptação às mudanças climáticas. (AU)

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