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A polifuncionalidade do conectivo que no português do Brasil: uma análise construcional-interacional

Resumo

Sabe-se que o conectivo "que", no português do Brasil, assim como em outras línguas românicas, é um item multifuncional, que pode cumprir diferentes funções nos processos de conexão de orações, tais como os de conjunção integrante, conjunção coordenada explicativa, conjunção subordinada causal, e pronome relativo, constituindo-se por essa razão uma fonte de dificuldades para a explicação gramatical de um ponto de vista estritamente normativo. Também no que diz respeito à linguística descritiva, o uso do "que" impõe desafios, uma vez que em algumas teorias linguísticas ainda se considera que há, nos signos gramaticais, uma relação biunívoca entre forma e significado. O objetivo deste projeto é descrever e analisar diferentes usos do conectivo "que" no português do Brasil, adotando uma perspectiva construcional-interacional, o que significa dizer que se vai tratar desse conectivo partindo-se do pressuposto de que seu funcionamento é mais bem determinado se se entende seu papel em situações de interação social, e sua pertinência em uma rede construcional de (in)subordinação (GOLDBERG, 1995, 2005). Nesse sentido, a partir das das reflexões teóricas desenvolvidas por Evans (2007, 2009), Mithun (2008), Gras (2011, 2016), Verstraete, D'Hertefelt, Van Linden (2012), Van Linden e Van de Velde (2014), D'Hertefelt, (2014, 2015, 2018), Sansiñena (2015, 2019), entre outros, propõe-se estabelecer a relação entre três diferentes tipos de construções encabeçadas pelo "que": as completivas insubordinadas, as semi-insubordinadas e as explicativas-causais. Serão estabelecidos os contextos discursivos nos quais essas construções são usadas, bem como suas características formais e funcionais, que as aproximam e diferenciam. Com este projeto espera-se chegar a um tratamento mais sistemático dos processos de (in)subordinação no português, além de contribuir com os trabalhos de tipologia que tratam desse fenômeno em diferentes línguas (Sansiñena, 2015, 2019; Coimbra, 2020; Beijering, 2016, 2017; Beijering, Norde, 2019, Wiemer, 2019). (AU)

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