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Consequências na saúde humana de longo prazo as emissões gasosas provenientes da decomposição de de algas tipo sargaço

Resumo

Desde 2010, invasões maciças e repetidas de algas sargaço (Sargassum fluitans e Sargassum natans) ocorrem nas costas dos países do Caribe. O encalhamento dessas algas marrons representa não apenas um desastre ambiental e econômico, mas também uma ameaça real à saúde humana devido à produção de compostos orgânicos e gasosos tóxicos que ainda não foram completamente identificados. Entre eles, no entanto, a toxicidade aguda de sulfeto de hidrogênio (H2S) e amônia (NH3) está bem documentada. Até o momento, não houve uma avaliação abrangente sobre os riscos potenciais à saúde humana associados à exposição crônica ao H2S e NH3. Essa falta de conhecimento é crítica porque os moradores das costas, afetados pelo encalhe do sargaço, estão sujeitos a exposições repetidas e prolongadas, geralmente me baixas concentrações de gases potencialmente tóxicos emitidos pelas algas em decomposição. Um estudo clínico preliminar realizado no CHU (Hospital Universitário) da Martinica em 2018, realizado com 160 pacientes, relatou que os sinais clínicos mais frequentemente observados de exposição crônica foram irritação conjuntival e das vias aéreas superiores, dificuldade em respirar ou falta de ar, erupções cutâneas e dores de cabeça. Com base nesses resultados preliminares, destacando as possíveis consequências para o sistema respiratório, propomos aqui caracterizar melhor os efeitos para a saúde humana das emissões gasosas produzidas pela decomposição do sargaço e sua associação com os níveis de exposição avaliados pelos sensores de H2S e NH3 nos moradores da região do Caribe. As consequências da inalação crônica no sistema respiratório serão avaliadas por espirometria e testes de pletismografia (teste de função pulmonar) corporal. Biomarcadores de inflamação pulmonar e estresse oxidativo serão medidos no ar expirado, no condensado da respiração e no plasma sanguíneo dos indivíduos expostos. As vias de sinalização envolvidas na toxicidade pulmonar serão exploradas utilizando-se modelos animais que mimetizam a exposição crônica humana. A genotoxicidade e os efeitos da exposição pré-natal no desenvolvimento pulmonar e na disfunção pulmonar pós-natal também serão estudados em camundongos. Por fim, investigaremos os conhecimentos, crenças e práticas da população em risco na região do estudo, avaliando os sentimentos e a percepção das pessoas sobre as preocupações sanitárias, econômicas e sociais associadas ao encalhamento do sargaço, com base em uma abordagem antropológica, bem como entrevistas individuais e coletivas. O objetivo da presente proposta de estudo é atender aos requisitos das autoridades européias, francesas e do Caribe em relação ao aprimoramento do conhecimento científico e médico sobre as consequências da repetição do sargaço nas populações expostas, principalmente no que se refere à saúde respiratória. Assim, esperamos fornecer informações sobre estratégias eficazes de saúde pública de curto e longo prazo, por meio de abordagens integradas baseadas em tecnologias e estudos clínicos atualizados. (AU)

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