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Nas franjas do progresso: efeitos socioambientais da produção canavieira nos estados de Alagoas e São Paulo

Resumo

Este projeto representa a consolidação e articulação de um esforço coletivo de investigação sobre as consequências sociais e ambientais da atuação do setor sucroalcooleiro nos estados de São Paulo e Alagoas diante de um novo contexto de relações. Partimos da hipótese de que uma série de mudanças recentes na dinâmica produtiva e na gestão pública do trabalho, da questão agrária e da questão ambiental apontam para impactos significativos na reprodução do capital e do trabalho nos dois estados, que ampliam a condição de vulnerabilidade da população que vive/trabalho no campo (assalariados rurais e camponeses). Dentre essas mudanças destacamos o avanço da mecanização, as Reformas Trabalhistas e da Previdência, o retrocesso na política de regularização fundiária, os cortes nas políticas públicas de apoio à agricultura familiar, a liberação de centenas de agroquímicos e o aumento das queimadas, produto da flexibilização da fiscalização ambiental. Objetivamos, portanto, investigar a dinâmica e os efeitos destas mudanças em duas das principais regiões de atuação do setor sucroalcooleiro nos estados de Alagoas e São Paulo, a zona da mata alagoana (região leste) e a região administração de Ribeirão Preto (região centro-leste), que se destacam enquanto espaços significativamente apropriados e transformados pela lógica capitalista. Observaremos, sobretudo, as consequências dos efeitos socioambientais produzidos pelo agronegócio canavieiro para as condições de trabalho e empregabilidade, para a saúde da população rural e para a reprodução social de camponeses e trabalhadores assalariados rurais, atentando, também, para a questão de gênero. A análise comparativa permitirá avaliar a diversidade dos fenômenos encontrados, bem como suas possíveis semelhanças. Elegemos para esta pesquisa a metodologia qualitativa, complementada com a análise de dados secundários de diferentes agências de informação e instituição de gestão (IBGE, IPEA, DIEESE, Secretarias de Meio Ambiente, Comitês de Bacias Hidrográficas, entre outras). Ancorados nos princípios da História Oral, intencionamos realizar entrevistas de roteiro semiestruturado com diferentes sujeitos dos cenários analisados, buscando a valorização da experiência como meio de produzir inteligibilidade sobre o tema proposto. Faremos, também, produção de fotografias e registros das observações empíricas em diário de campo. Contaremos, ainda, com o Nordic Musculosketel Questionnaire (NMQ), para a identificação de vulnerabilidades sobre o corpo (distúrbios osteoarticulares) que podem ser produzidos pela organização do trabalho na produção canavieira. A análise dos dados empíricos subsidiará a elaboração de artigos científicos - com publicação em revistas e exposição em congressos, um livro-coletânea e um vídeo documentário sobre a pesquisa. Com isso, buscamos fortalecer a contribuição acadêmica entre UFAL e UFSCar, especificamente nas áreas dos Estudos do Trabalho, Estudos Rurais e Ambientais. (AU)

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