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Capacidade para não aprender: manejo e contribuições da psicanálise ao cotidiano escolar

Resumo

O presente trabalho aborda como processos perversos de exclusão social têm impacto sobre a capacidade de usufruir da experiência de ensino e aprendizagem na escola. A partir do vértice psicanalítico, particularmente com a ajuda de Bion, descreve a capacidade para não aprender, caracterizada como uma capacidade real de determinadas crianças para se manterem vivas num ambiente social e emocional que pouco as desejou. O trabalho apresenta uma visão panorâmica acerca do conceito de exclusão social e busca uma interlocução possível com a psicanálise. Para tanto, toma o conceito de reverie, formulado por Bion, como referência para propor o conceito de reverie social, e a exclusão social como ausência dessa última. Em seguida, relata resultados de pesquisa desenvolvida com crianças no ambiente escolar e apresenta evidências da capacidade para não aprender, tais como a ausência de memória e de narrativa, e a impossibilidade de brincar. Através de memória cênica, metodologia desenvolvida para a investigação, na qual a criança é filmada para assistir-se posteriormente, acompanhada pelo pesquisador, a pesquisa discorre sobre a importância de que a cena vivida pela criança, que implica reconhecimento de experiência de frustração e dor, seja partilhada com adultos significativos para que algum conhecimento sobre ela seja possível, a memória se forme e a capacidade para aprender germine. A partir dos resultados da utilização da memória cênica, é feita uma discussão sobre a importância do brincar em sala de aula, como possibilidade de resgate da vivência cênica da criança e a respectiva oportunidade de partilha de tal experiência. São propostos cinco níveis de intervenção do adulto na experiência cênica do brincar e alguns relatos referentes a esses níveis. Em seguida, é abordado o sofrimento do professor que acompanha crianças cuja capacidade para não aprender circula no ambiente de sala de aula. E tal sofrimento revela-se, entre outras coisas, como um ataque à própria sensibilidade do professor. Por fim, o trabalho desenvolve algumas ideias sobre como tornar o ambiente escolar idôneo, característica fundamental para o acolhimento da experiência de sofrimento de alunos e professores e para a superação da capacidade para não aprender. (AU)

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