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O Gesto sem fim - notas de um psicanalista ao ler Agamben

Resumo

Seguindo a obra de Giorgio Agamben, o autor defende que a psicanálise não seguiria o ritual da religião capitalista. Segundo Teshainer, psicanálise poderia ser pensada de outra forma (não por acaso, ênfase no poderia). O objetivo maior seria mostrar como Agamben nos ajuda a responder à crítica de que a psicanálise se enquadraria no interior da biopolítica ou não. Se não conseguirmos responder a isso, se realmente à psicanálise só resta seguir a gestão do poder, melhor que os analistas, inventem outra coisa mais interessante para fazer daí a preocupação de Teshainer e o porquê de se voltar a Agamben. Trata-se de repensar a potencialidade humana em outro viés e a experiência da linguagem em outro registro do que da produção. Afinal, dois bons motivos para ler Agamben visando repensar a psicanálise: A questão que se propõe é se a psicanálise pode ser entendida como um gesto que profana os dispositivos da religião capitalista. Fica a pergunta: seria possível pensar a psicanálise nesta experiência da linguagem? Como gesto?. Teshainer desfila os momentos em que Agamben trata da potência do não que é uma releitura bem original de Aristóteles. São vários os momentos que Agamben insiste que a leitura tradicional da potência/ato em Aristóteles deixou de lado algo fundamental: a potência do homem em não colocar em ato sua potencialidade - algo que no texto está dito como "inoperosidade". Ou seja, ao contrário do que se espera numa cultura regida pela produtividade, Agamben nos traz a possibilidade de não agir enquanto uma forma possível de ser em ato. A inoperosidade seria, portanto, a possibilidade de o ato não produzir obra, mas um efeito em si mesmo. Em outras palavras: uma forma de "resistência", de "inoperosidade", diante do culto da performance A leitura de Teshainer de Agamben o possibilita a repensar a psicanálise "fora" do âmbito da produção da "religião capitalista". Daí sua insistência em afirmar que é possível uma "arte sem obra"; em que a própria fala seria somente um gesto e não uma "produção" - ao menos entendida dentro do cômputo do capital da produção. Uma consequência de sua reflexão é a tentativa de se pensar outra possibilidade de o sujeito ser sujeito - não mais um sujeito da produção, e sim um sujeito que tem a potência de inoperar sua potência enquanto um gesto (uma espécie de linguagem/movimento que desarticula a operatividade da potência enquanto produção). (AU)

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