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Uso da tomografia de coerência óptica em aves de rapina

Resumo

Na última década desenvolveu-se uma nova técnica de imagem, chamada Tomografia de Coerência Óptica ou OCT, usada tanto em pesquisa quanto na prática clínica da oftalmologia. É uma técnica de microscopia in vivo que permite avaliar a constituição e integridade das estruturas oculares. A OCT ampliou as possibilidades no que se refere ao segmento de diagnóstico por imagem, proporcionando maior confiabilidade ao diagnóstico e tratamento das doenças oculares. É um exame não invasivo, de alta resolução e não contato, que utiliza luz próxima ao infravermelho, em um sistema de interferometria, que produz imagens seccionais.A OCT é um exame recente, tanto na oftalmologia humana como na veterinária. Alguns animais já foram avaliados pela OCT, tais como: aves, roedores, caninos, felinos e primatas. Esta técnica permite estratificar as camadas do segmento anterior e posterior do bulbo ocular. Acredita-se que a alta incidência de trauma ocular em rapinantes, esteja relacionada com sua anatomia ocular (disposição dos olhos, estrutura e estabilidade ocular entre outras características) e sua habitação em área urbana. O diagnóstico de lesões oculares não realizado pode levar a grandes prejuízos visuais ou até mesmo a perda da visão, o que é de extrema importância para estas aves caçadoras. Animais com lesão em segmento posterior ocular podem apresentar alteração estrutural e diminuição da espessura da retina neurossensorial, do epitélio pigmentado da retina (EPR) e da coroide, além de vitreíte. As alterações em segmento anterior ocular (distrofia corneana, degeneração corneana, úlcera, ruptura do bulbo e uveíte) podem desencadear sequelas importantes como opacidades e glaucoma. Objetiva-se avaliar qualitativa e quantitativamente, as estruturas do segmento anterior e posterior de aves de rapina, com e sem alteração ocular, empregando a técnica de OCT. As aves a serem utilizadas no projeto serão oriundas de Centro de triagem de animais silvestres e/ou Centro de reabilitação de animais silvestres (CETAS/CRAS). Serão usadas 15 aves sem oftalmopatias, hígidas, adultas de sexo indeterminado (grupo sem dimorfismo sexual) e 15 com oftalmopatias. Para a realização do exame, a contenção física das aves será manual (com auxílio de toalha ou luva de raspa de couro) ou farmacológica, por sedação. Tal escolha dependerá do temperamento do paciente, pois, este deve permanecer imóvel durante todo o procedimento para que se possam obter imagens de boa qualidade. Salienta-se que a escolha do fármaco para a contenção do animal não interferirá no estudo. Para a sedação aplicar-se-á, por via intramuscular, associação de Midazolam (5mg/kg) e Cetamina (10mg/kg). Para a dilatação pupilar, os animais receberão instilação tópica de Rocurônio 10mg/ml, uma gota em ambos os olhos a cada 15 minutos por 30 minutos, totalizando 2 gotas em cada olho.O paciente será posicionado devidamente e o operador promoverá o alinhamento do aparelho e de seu foco, obtendo imagem nítida da região a ser estudada no monitor (segmento anterior e posterior). Este projeto visa atender as expectativas de uma área em desenvolvimento, cujas necessidades de aprimoramento diagnóstico tornam-se imprescindíveis para conhecimento e manutenção da qualidade de vida do paciente. O resultado deste estudo terá aplicabilidade clínica, viabilizando o diagnóstico e seguimento de doenças que atingem o segmento anterior e posterior do bulbo ocular dos rapinantes. (AU)

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