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Desenvolvedores de Software e Teleoperadores: Dois opostos do trabalho imaterial?

Resumo

Para a solicitação do Auxílio FAPESP - Regular, encaminho projeto de pesquisa que dá seguimento a pesquisas anteriores, mas agora focado em um novo objeto específico: a análise das condições de trabalho dos desenvolvedores de software e dos teleoperadores de centrais de teleatendimento no Brasil. À primeira vista, estas atividades produtivas não estariam, primeiro, condicionadas por formas de organização do trabalho tradicionais, típicas do padrão de acumulação taylor-fordista, na medida em que acionariam predominantemente a intelectualidade de seus agentes produtivos, segundo, se diferenciariam também das práticas produtivas toyotistas, pois estariam baseadas, também predominantemente, em aspectos subjetivos da força de trabalho como a criatividade e a inteligência. Não obstante, estas novas formas de trabalho imateriais, parecem ainda, apesar de suas diferenças, reproduzir elementos da gestão e da produção muito semelhantes, por um lado, àquelas da produção seriada e padronizada das industriais tayloristas e fordistas e, por outro, da produção de automóveis do sistema toyotista, sobretudo, no que se refere às formas de estímulo e controle produtivos. Entendemos, por conta disso, que se faz necessário analisar o que há de novo e o que se conserva nas relações e condições de trabalho que têm como característica central a utilização da cognição, da informação, da comunicação, da intelectualidade e da criatividade, analisando também em que medida este tipo de produção se assemelharia ou não à produção material. Isto é, nos parece central precisar em que medida o trabalho imaterial se difunde como atividade produtiva e de serviços e quais são as condições de trabalho e as formas de precarização que perpassam este tipo de produção na sociedade brasileira contemporânea. Neste sentido, o que propomos com esta pesquisa é analisar, na atual conjuntura brasileira, o lugar do trabalho imaterial no interior da produção de mercadorias, tendo como objeto empírico de análise os desenvolvedores de software de "indústrias de software" e os teleoperadores de centrais de teleatendimento. Enfatizaremos, para tal, três dimensões destas atividades: 1. As condições objetivas de trabalho; 2. As formas de precarização do trabalho imaterial que podem atingir estes dois diferentes coletivos de trabalho; estabelecendo, por fim, 3. Aproximações e distanciamentos entre eles no que se refere às suas condições de trabalho e de vida. (AU)

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