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A economia política global e a crise democrática brasileira

Processo: 19/25376-0
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 30 de junho de 2021
Vigência (Término): 29 de dezembro de 2021
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Ciência Política - Comportamento Político
Pesquisador responsável:André Vitor Singer
Beneficiário:André Vitor Singer
Anfitrião: Alfredo Saad Filho
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa : King's College London, Inglaterra  
Assunto(s):Capitalismo   Brasil   Democracia

Resumo

Uma crescente literatura procura relacionar a crise capitalista em curso a fenômenos políticos de corte antidemocrático que tiveram lugar na década que se seguiu ao crash de 2008. A transformação econômica ocasionada pela convulsão financeira desatou forças contrárias ao equilíbrio democrático. Manifestações de autoritarismo, provenientes tanto de resultados eleitorais pró-endurecimento, quanto o bloqueio, desde cima, de alternativas ao neoliberalismo, tem se espraiado mundo afora, tornando urgente a compreensão dos processos que subjazem à onda antidemocrática. Após a Segunda Guerra Mundial, a socialdemocracia agenciou reformas que ajudavam ao capital e aos trabalhadores ao mesmo tempo. O melhor exemplo é o aumento de salários, que permitiu aos trabalhadores alcançarem um padrão de consumo não imaginado em etapas anteriores e, aos empresários, constituírem um polo de produção avançado capaz de fornecer os bens consumidos. Após a revolução neoliberal, do final dos anos 1970 até hoje parece que a vasta população não pode oferecer mais nada ao capital, a não ser a devolução dos direitos sociais conquistados historicamente. Após 2008, as contradições geradas por tal situação parecem desestabilizar a própria democracia.O constante crescimento da extrema-direita na Europa, em particular na Áustria, Hungria e Polônia, mas também na Espanha, Itália e França; os chamados "golpes financeiros" de 2011 na Itália e na Grécia; processo de esmagamento financeiro do governo de esquerda grego em 2015, e vitória do Brexit e Trump em 2016, parecem responder a uma situação em que não havendo alternativa progressista, a opção pelo retrocesso se impõe. Nos países periféricos, reflexos da tendência autoritária têm sido observados na Índia, nas Filipinas, na Turquia e no Brasil. Entender de que forma o impasse capitalista impacta a desigualdade, e esta, por sua vez, ocasiona um acirramento dos confrontos políticos, levando à desestabilização da democracia, constitui hoje campo relevante da ciência política internacional. O objeto específico que nos propomos pesquisar diz respeito ao vínculo entre os desdobramentos da crise financeira e os acontecimentos políticos brasileiros entre 2013 e 2018, os quais, partindo das grandes demonstrações de junho de 2013 chegam à eleição de Jair Bolsonaro em 2018, passando pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2016. A ascensão da extrema-direita à Presidência da República do Brasil, qualificada por Levitsky (2017) como paralela à de Donald Trump dois anos antes, no que diz respeito aos perigos que representava para a democracia, foram a conclusão de uma cadeia de acontecimentos cuja origem parece estar ligada ao ensaio desenvolvimentista de Dilma Rousseff. A vitória do ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro, entretanto, não teria sido possível sem o levante de 2013, o qual acabou por desaguar nas manifestações pró-impedimento de 2015-2016, tendo por nexo a Operação Lava Jato, iniciada em 2014. Ao deslindar as eventuais ligações entre os fatos acima mencionados e as profundas transformações globais na década 2008-2018 procura-se contribuir para o esforço da ciência política no desvendamento do quadro contemporâneo.