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As armadilhas da flexibilidade: trabalho e gênero no setor da tecnologia da informação

Processo: 15/07982-9
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de outubro de 2015 - 30 de setembro de 2016
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia - Outras Sociologias Específicas
Pesquisador responsável:Bárbara Geraldo de Castro
Beneficiário:Bárbara Geraldo de Castro
Instituição-sede: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Flexibilização  Gênero  Trabalho 

Resumo

A flexibilização é um dos fenômenos mais discutidos nos estudos dedicados a entender o universo do trabalho contemporâneo. Seja ela compreendida como uma nova maneira de se organizar o trabalho e a produção, ou enquanto desregulamentação das Leis do Trabalho. Este livro se propôs a investigar os efeitos desse processo sobre as trajetórias pessoais e profissionais de homens e mulheres que atuam em um setor específico da economia: a Tecnologia da Informação (TI). Nele, as relações de trabalho flexíveis são tratadas como habitus profissional em suas duas características fundamentais: a reorganização do trabalho e da produção e a desregulamentação da CLT. Em consequência, jornadas de trabalho extensivas, a intensificação do trabalho por meio de tecnologias de comunicação portáteis e a proliferação dos chamados contratos atípicos, entre outros aspectos, são naturalizadas e tratadas como uma particularidade do setor. Por meio de análise quantitativa e qualitativa, buscou-se mostrar que a experiência da flexibilidade é vivida de modos diferentes por homens e mulheres. Primeiramente, esboçou-se como a divisão sexual do trabalho se estrutura internamente ao setor, que possui baixa participação de mulheres. Em seguida, problematizaram-se os efeitos que a elevada mobilidade, jornadas extensivas e intensificadas e a ausência de direitos trabalhistas proporcionada pelos contratos atípicos possuem para a constituição das carreiras dos profissionais quando o gênero é acionado como marcador de diferença. O gênero, os limites corporais e a maneira como os entrevistados e entrevistadas compreendiam as etapas da vida, se constituíram enquanto pontos de viragem em suas narrativas, desconstruindo a naturalização dos traços que antes entendiam como formativos do setor e revelando a condição precária de suas relações de trabalho, a despeito de seus altos salários e elevada qualificação profissional. (AU)