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Análise comparada de frequência de predação em associações de braquiopodes/moluscos recentes da Plataforma Brasileira

Processo: 06/06323-2
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Artigo
Vigência: 01 de dezembro de 2006 - 28 de fevereiro de 2007
Área do conhecimento:Ciências Exatas e da Terra - Geociências
Pesquisador responsável:Marcello Guimarães Simões
Beneficiário:Marcello Guimarães Simões
Instituição-sede: Instituto de Biociências (IBB). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Botucatu. Botucatu , SP, Brasil
Assunto(s):Brachiopoda  Paleoecologia 

Resumo

Braquiópodes e moluscos bivalves provenientes da Plataforma Brasileira, região sudeste, são aqui estudados quanto as suas ocorrências e freqüências de predação. Cerca de 14.000 espécimes (5204 braquiópodes e 9137 bivalves) foram amostrados em 30 estações de coleta (0 a 45 metros de profundidade), localizadas nas baías de Ubatuba e Picinguaba, costa norte do Estado de São Paulo. Dentre os bioclastos obtidos, conchas de gastrópodes são raras e são brevemente discutidas nesse trabalho. Perfurações parabólicas, circulares a subcirculares (perfurações do tipo Oichnus) foram encontradas não apenas em diversas conchas de bivalves, mas também em espécimes do braquiópode rhynchonelliforme Bouchardia rosea, elemento dominante da fauna de braquiópodes da Plataforma Brasileira. As perfurações observadas nos braquiópodes e nos bivalves são comparáveis entre si, quanto a sua morfologia e diâmetro médio, indicando que tais presas (braquiópodes e bivalves) foram alvos de ataque de um mesmo grupo de predadores. Nos braquiópodes, a freqüência de predação é baixa (0,4%), ocorrendo conchas perfuradas em cinco estações de coleta. Embora a freqüência de predação nos bivalves seja cerca de 10 vezes maior do que a observada para os braquiópodes e conchas perfuradas de bivalves ocorram em todas as estações de coleta, o valor médio da freqüência de predação ainda é baixo (5,6%), se comparado aos valores tipicamente encontrados nos bivalves cenozóicos. Devido à escassez de conchas perfuradas de braquiópodes, não foi possível avaliar se a ocorrência das perfurações segue determinados padrões (estereotipia) quanto ao tamanho, tipo de valva ou lugar na concha. Entretanto, as perfurações nas conchas de braquiópodes podem representar (1) predação por gastrópodes naticídeos e/ou muricídeos; (2) predação por outros organismos; (3) perfurações decorrentes de parasitismo, e (4) predação acidental ou facultativa. As baixas freqüências de predação dos braquiópodes aqui apresentadas são consistentes com o observado em outros estudos de predação em braquiópodes, tanto para acumulações do registro fóssil, como para espécimes de habitat recentes. A escassez de predação em braquiópodes, associada às freqüências de predação maiores nos bivalves simpátricos, reforçam a idéia de que a predação nos braquiópodes pode ser decorrente de ataques acidentais ou facultativos. Notavelmente, as freqüências de predação das acumulações de braquiópodes e bivalves são similares àquelas registradas para associações de braquiópodes e bivalves do Permiano. Finalmente, o presente estudo acrescenta novas evidências para uma intrigante questão macro-ecológica: tanto em ecossistemas recentes, como no registro fóssil, os braquiópodes rhynchonelliformes têm apresentado baixa intensidade e ocorrência escassa de marcas de predação em suas conchas, apontando para baixa interação biótica entre os braquiópodes e organismos predadores ao longo de suas histórias evolutivas. (AU)