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Estudo da ecologia de gramíneas forrageiras tropicais sob pastejo através da caracterização de sua fenologia e ontogenia para fins de planejamento, desenvolvimento, modulação e otimização de sistemas

Processo: 95/08859-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Apoio a Jovens Pesquisadores
Vigência: 01 de outubro de 1996 - 31 de março de 1999
Área do conhecimento:Ciências Agrárias - Zootecnia - Pastagens e Forragicultura
Pesquisador responsável:Carlos Guilherme Silveira Pedreira
Beneficiário:Carlos Guilherme Silveira Pedreira
Instituição-sede: Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ). Universidade de São Paulo (USP). Piracicaba , SP, Brasil
Auxílios(s) vinculado(s):98/10551-2 - Performance of yearling cattle grazing Tifton 85 and florakirk bermudagasses, AR.EXT
Bolsa(s) vinculada(s):97/04373-1 - Estudo da ecologia da gramíneas forrageiras tropicais sob pastejo através de caracterização de sua fenologia e ontogenia para fins de planejamento, desenvolvimento, modulação e otimização de sistemas´... .., BP.IC
96/07932-9 - Estudo da ecologia de gramíneas forrageiras tropicais sob pastejo através da caracterização de sua fenologia e ontogenia para fins de planejamento, desenvolvimento, modulação e otimização de sistemas de produção animal a pasto, BP.JP
Assunto(s):Ecologia de pastagens  Gramíneas forrageiras  Pastejo 
Publicação FAPESP:http://media.fapesp.br/bv/uploads/pdfs/Investindo...pesquisadores_58_81_82.pdf

Resumo

Há duas características das gramíneas forrageiras perenes que são centrais para o entendimento dos efeitos do manejo sobre a produção das pastagens. Primeiro devido ao fato de o relvado apresentar um rápido turnover (renovação) de tecidos, todo o material que permanecer não colhido ou não pastejado é logo perdido por senescência. Esse turnover constitui-se, claramente, na origem de consideráveis perdas potenciais de produção. As forrageiras perenes podem ser utilizadas com diferentes intensidades, de acordo com a maneira com que são colhidas ou pastejadas, e o modo de colheita da forragem em uma dada ocasião, tem um efeito marcante sobre o crescimento e a proporção do tecido produzido que é colhido. O acúmulo de novos tecidos pela planta forrageira em crescimento ocorre simultaneamente à perda de tecidos existentes por senescência e morte. Esse balanço entre as taxas de crescimento e morte sofre alterações com o tempo, mas é principalmente afetado em qualquer ponto no tempo pela maneira como o pasto é manejado, podendo ter um efeito marcante sobre o formato das curvas de acúmulo de forragem que se sucederem. Embora a taxa de crescimento da forragem seja indicativa da produção potencial do pasto, a quantidade real de forragem consumida pelo animal em pastejo representa essa produtividade potencial, modificada pela eficiência de utilização, isto é, a partição entre o tecido vegetal que é consumido e aquele que é deixado no pasto para senescer e morrer. Isso pode parecer uma afirmação elementar, mas as taxas de crescimento, consumo, e senescência tendem a responder de diferentes maneiras às variações no manejo da pastagem. Assim, as implicações de uma específica prática de manejo para as eficiências relativas dos processos de crescimento e de colheita nem sempre são aparentes. Para que essas implicações sejam entendidas, é preciso primeiro, que se conheça como essas taxas podem ser controladas. Isso por sua vez, requer um conhecimento prévio de características ontogenéticas (referentes ao ciclo biológico) e fenológicas (referentes à periodicidade com que determinados fenômenos acontecem dentro desse ciclo biológico em resposta a fatores externos) da planta forrageira que possam auxiliar no entendimento de como as taxas de produção, consumo, e senescência respondem a fatores de meio ambiente (entendidos como a relação solo:planta:animal), e como elas podem ser efetivamente controladas. Uma melhor compreensão da fisiologia da produção sob lotação contínua em nível de pesquisa e de fazenda pode proporcionar o desenvolvimento e o aprimoramento de práticas de manejo que permitam a identificação do balanço ótimo entre o crescimento e a utilização da forragem. A racionalização dos princípios fisiológicos dos efeitos da desfolha sobre a síntese e perda de tecido, em conjunto com a conscientização da importância de se evitar deterioração na estrutura do pasto poderão permitir que o produtor tome as decisões de manejo que melhor se ajustem aos seus objetivos e às frequentes mudanças nas condições por ele experimentadas. Esse entendimento somente será possível à medida que a biologia da planta forrageira seja conhecida e que possa ser manipulada eficientemente como o principal recurso do sistema produtivo. Os objetivos deste trabalho são de (i) descrever, em plantas forrageiras de interesse econômico, as dinâmicas de perfilhamento e turnover (renovação) de tecidos ao longo da estação de pastejo, para cálculo de taxas bruta e líquida de acúmulo de forragem e de perda de tecido por senescência e morte em função do manejo empregado; (ii) determinar o efeito da condição (altura, IAF) do pasto mantido em steady-state sob lotação contínua, sobre a produção e utilização da forragem; (iii) utilizar os dados gerados para desenvolver, validar, e aprimorar modelos computacionais de simulação e otimização da produção, e principalmente, de utilização de forrageiras tropicais sob pastejo; e (iv) com base no conhecimento dos diversos aspectos da biologia da planta forrageira sob pastejo, desenvolver sistemas de utilização de pastagens baseadas em princípios claros, objetivos, e bem definidos, e que permitam a racionalização do manejo maximizando a eficiência do uso de insumos. Um experimento de pastejo será conduzido por 2 anos (estação das águas + estação da seca, em cada ano) para avaliar e descrever respostas biológicas das plantas forrageiras à condição do pasto (steady state) mantida por manejo. Três cultivares de Cynodon spp. serão estudadas sob um sistema de lotação contínua e carga variável (put- and-take) onde serão geradas quatro condições de pasto a serem mantidas por ovinos em pastejo. Cada condição de pasto corresponderá a uma altura média do relvado (5, 10, 15 e 20 cm) mantida no decorrer dos dois anos do experimento. A altura será monitorada semanalmente através de 30 medições tomadas em cada piquete com o sward stick. Animais serão adicionados ou removidos do piquete no caso da altura estar acima ou abaixo da desejada, respectivamente. A massa de forragem (MF) presente em cada piquete será determinada mensalmente e o acúmulo de forragem (AF) será medido dentro de gaiolas de exclusão. A área total de folhas de cada amostra será estimada a partir de sub-amostras de peso conhecido. O IAF será calculado como a média das 3 amostras em cada data de amostragem. Medições de interceptação de luz pelo relvado serão feitas concomitantemente com as de IAF. A dinâmica de perfilhamento será estudada através de observações mensais. Em cada piquete, quatro seções transectas serão marcadas permanentemente para demarcar os locais das medições. Serão feitas observações de turnover de tecido. Em perfilhos individuais escolhidos serão observadas as taxas de aparecimento e de senescência de folhas a cada dois dias, por um período de oito dias a cada mês, de maneira análoga às observações sobre a dinâmica de perfilhamento. (AU)